UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Mulher de 50 anos com dor, aumento do volume abdominal e sensação de saciedade precoce ao se alimentar. Ao exame clínico: massa de consistência endurecida, móvel em região anexial direita. Ultrassonografia endovaginal: em ovário direito, observada imagem arredondada anecoica com septos (total de 2), 5 vegetações internas (a maior medindo 18mm) e discreto fluxo ao Doppler (score 1). Não observados debris ou sombra acústica posterior, medindo 10,5 x 6,0 x 5,5 cm (180ml). Ultrassonografia abdominal: sem ascite.Em relação ao caso apresentado, defina o risco de malignidade utilizando regras simples de IOTA.
5 vegetações internas em massa anexial → alto risco de malignidade pelas regras IOTA.
As regras simples IOTA são uma ferramenta validada para avaliar o risco de malignidade em massas anexiais. A presença de múltiplas vegetações internas é um forte preditor de malignidade, mesmo em cistos predominantemente anecoicos. A idade da paciente (50 anos, pós-menopausa) também eleva a suspeita.
A avaliação de massas anexiais é um desafio comum na ginecologia, com a ultrassonografia sendo a principal ferramenta diagnóstica. As regras simples do International Ovarian Tumor Analysis (IOTA) são amplamente utilizadas para estratificar o risco de malignidade, classificando as massas em benignas, malignas ou indeterminadas com base em critérios ultrassonográficos específicos. No caso apresentado, a paciente de 50 anos (pós-menopausa) com uma massa anexial de 10,5 cm, anecoica com septos e 5 vegetações internas, e discreto fluxo ao Doppler (score 1), apresenta características que apontam para um risco elevado de malignidade. A presença de quatro ou mais vegetações internas (M3) é um dos critérios mais fortes para malignidade nas regras IOTA. Embora o componente anecoico e o baixo fluxo Doppler possam sugerir benignidade, a idade da paciente e, principalmente, as múltiplas vegetações internas, sobrepõem esses achados. Com base nas regras IOTA, a presença de uma regra M (M3 - 5 vegetações) sem a presença de nenhuma regra B (como cisto unilocular, componente sólido < 7mm, sombra acústica, paredes lisas ou ausência de fluxo) classifica a massa como maligna. Embora as regras simples não forneçam uma porcentagem exata, a classificação de 'maligna' implica um risco substancial, geralmente acima de 10-20%, e na prática, para um caso com 5 vegetações, o risco é considerado moderado a alto, justificando a opção de 25 a 50% de malignidade.
As características que mais indicam malignidade (M-rules) incluem a presença de ascite, quatro ou mais estruturas papilares (vegetações), tumor sólido irregular, tumor sólido com mais de 100 mm e fluxo sanguíneo muito forte ao Doppler (score 4).
A idade é um fator importante. Em mulheres pós-menopausa, a presença de uma massa anexial complexa, especialmente com características de malignidade, tem um risco significativamente maior de ser maligna em comparação com mulheres pré-menopausa.
Um 'score 1' ao Doppler indica ausência de fluxo sanguíneo ou fluxo mínimo na massa. Embora a ausência de fluxo seja uma característica de benignidade (B5), um fluxo discreto (score 1) não exclui malignidade, especialmente na presença de outras características suspeitas como vegetações.
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