CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Num paciente ortofórico hipermétrope de + 5,00 D nos dois olhos, qual erro de montagem terá provavelmente menor probabilidade de gerar sintomas para longe?
Hipermetropes toleram melhor descentração temporal (Base Out) do que nasal (Base In) para longe.
A descentração de lentes positivas gera efeitos prismáticos; o aumento da distância entre centros ópticos em hipermetropes cria prismas de base externa, que são compensados pela convergência fusional.
A prescrição óptica não termina no consultório; a montagem correta das lentes é vital. Em pacientes com hipermetropia elevada, como +5,00 D, a precisão da Distância Interpupilar (DIP) é crítica. Quando o centro óptico da lente não coincide com o eixo visual, ocorre o efeito prismático. No caso proposto, uma descentração que aumente a distância entre os centros ópticos (DCO > DIP) em uma lente positiva induz um prisma de base temporal (Base Out). Como os pacientes têm boa amplitude de convergência, eles conseguem 'vencer' esse prisma com menos esforço do que se os centros estivessem mais próximos (Base In), o que exigiria uma divergência ocular difícil de sustentar. A compreensão desses fenômenos ópticos permite ao oftalmologista identificar causas de insatisfação com óculos novos mesmo quando o grau está correto.
A Regra de Prentice estabelece que o poder prismático (P) gerado pela descentração de uma lente é igual ao produto do poder dióptrico da lente (F) pela distância da descentração em centímetros (c), ou seja, P = c x F. Isso explica por que lentes de alto poder, como +5,00 D, geram sintomas significativos mesmo com pequenos erros de montagem.
Em lentes positivas (hipermetropia), afastar os centros ópticos em relação à distância interpupilar (DIP) cria um efeito prismático de Base Externa (Base Out). O sistema visual humano possui uma reserva de convergência fusional muito maior do que a de divergência, tornando o esforço para compensar prismas de base externa mais fácil e menos sintomático para o paciente.
A descentração vertical (diferença de altura entre os centros) é extremamente mal tolerada, pois o sistema visual tem uma capacidade de compensação vertical (vergência vertical) muito limitada, geralmente menor que 1 a 2 dioptrias prismáticas, causando diplopia ou astenopia severa.
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