CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Um paciente miope de -5,00 DE tinha melhor acuidade visual (AV) corrigida de 0,2. Após ser submetido a facectomia com implante de lente intraocular, ficou emétrope e manteve AV de 0,2. Quais as prescrições e as distâncias necessárias para o paciente ler 0,5M antes e após a cirurgia?
Regra de Kestenbaum: Adição (D) = 1 / AV (decimal) para ler 1M; dobre para 0.5M.
Para ler 0,5M com AV de 0,2, o paciente necessita de uma potência total de 10D. A distância de leitura é o inverso da potência (1/10m = 10cm).
A reabilitação visual de pacientes com baixa visão exige o domínio da óptica geométrica aplicada. A Regra de Kestenbaum fornece o ponto de partida, mas o ajuste fino depende da reserva acomodativa e da iluminação. Em pacientes pseudofácicos, a ausência de acomodação torna a distância focal da lente de adição rígida, exigindo precisão no posicionamento do texto. Nesta questão, o desafio é integrar o estado refracional prévio (miopia de -5,00D) com a necessidade de ampliação. Antes da cirurgia, o paciente usa sua miopia a seu favor; após a facectomia e implante de LIO para emetropia, ele se torna dependente de uma lente de adição externa mais forte para manter o mesmo desempenho de leitura de perto.
A Regra de Kestenbaum é uma fórmula clínica utilizada para estimar a adição inicial necessária para que um paciente com baixa visão consiga ler textos em tamanho padrão (1M ou J8). Ela estabelece que a adição em dioptrias é igual ao inverso da acuidade visual para longe expressa em decimal. Por exemplo, se a AV é 0,2 (20/100), a adição estimada para 1M é 1/0,2 = 5,00 dioptrias. Para objetivos mais exigentes, como ler 0,5M, a potência deve ser dobrada.
Pacientes míopes possuem um ponto remoto em uma distância finita, o que lhes confere uma 'adição natural'. No caso de um míope de -5,00D, seu ponto remoto está a 20cm (5D de potência). Se ele precisa de 10D totais para ler a 10cm, ele já possui 5D de sua própria ametropia (se não estiver corrigido para longe), necessitando apenas de mais +5,00D em lentes externas. Após a cirurgia de catarata, tornando-se emétrope, ele perde essa vantagem e precisa da potência total de +10,00D.
A distância de trabalho em metros é o inverso da potência dióptrica da lente (f = 1/D). Em auxílios de alta potência para baixa visão, o paciente deve segurar o material de leitura exatamente no foco da lente para evitar a necessidade de acomodação e garantir a máxima ampliação linear. Portanto, uma lente de +10,00D exige uma distância de leitura de 0,1m ou 10cm.
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