Queimaduras na Infância: Regra dos 9 e Tabela de Lund-Browder

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022

Enunciado

Em relação às queimaduras na infância, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) todos os pacientes devem receber reforço de vacina antitetânica
  2. B) as bolhas devem ser rompidas e tratadas com sulfadiazina de prata
  3. C) a regra dos 9 pode ser usada apenas em adolescentes maiores de 14 anos
  4. D) qualquer área de queimadura de segundo grau exige tratamento intra-hospitalar

Pérola Clínica

Regra dos 9 para queimaduras → não usar em crianças pequenas; usar tabelas específicas (Lund-Browder).

Resumo-Chave

A regra dos 9 é inadequada para estimar a área de superfície corporal queimada em crianças pequenas devido às suas proporções corporais diferentes (cabeça proporcionalmente maior, membros inferiores menores). Para crianças, devem ser utilizadas tabelas específicas, como a de Lund-Browder, que ajustam as porcentagens de acordo com a idade para um cálculo preciso da fluidoterapia.

Contexto Educacional

As queimaduras na infância representam uma causa significativa de morbidade e mortalidade pediátrica, exigindo uma abordagem especializada devido às particularidades fisiológicas e anatômicas das crianças. A avaliação precisa da extensão da queimadura é crucial para o cálculo da fluidoterapia e para determinar a necessidade de internação e o prognóstico. Uma das principais diferenças no manejo pediátrico é a estimativa da área de superfície corporal queimada (SCQ). A "regra dos 9", amplamente utilizada em adultos, é inadequada para crianças pequenas. Isso ocorre porque as proporções corporais infantis diferem significativamente: a cabeça é proporcionalmente maior (cerca de 18% no lactente, diminuindo com a idade) e os membros inferiores são menores. Portanto, a regra dos 9 superestimaria a área da cabeça e subestimaria a dos membros inferiores. Para crianças, a tabela de Lund-Browder é o método de escolha, pois ajusta as porcentagens das diferentes regiões corporais de acordo com a idade do paciente, fornecendo uma estimativa mais precisa. Outros pontos importantes no manejo de queimaduras em crianças incluem a atenção à hipotermia, a necessidade de reforço antitetânico (se o status vacinal for incerto ou incompleto), e a indicação de tratamento intra-hospitalar para queimaduras de segundo grau que excedam 10% da SCQ, ou que envolvam áreas críticas como face, mãos, pés, períneo ou grandes articulações. As bolhas, em geral, devem ser mantidas intactas, se pequenas, ou desbridadas se grandes e tensas, e o uso de sulfadiazina de prata deve ser cauteloso em lactentes devido ao risco de meta-hemoglobinemia. Residentes devem dominar essas especificidades para um cuidado pediátrico seguro e eficaz.

Perguntas Frequentes

Por que a regra dos 9 não deve ser usada em crianças pequenas para estimar a área queimada?

A regra dos 9 é imprecisa em crianças pequenas porque suas proporções corporais são diferentes das dos adultos, com a cabeça sendo proporcionalmente maior e os membros inferiores menores. Isso leva a uma superestimação da área da cabeça e subestimação dos membros.

Qual método é recomendado para estimar a área de superfície corporal queimada em crianças?

Para crianças, o método mais preciso e recomendado é a tabela de Lund-Browder, que ajusta as porcentagens das diferentes regiões corporais de acordo com a idade do paciente, fornecendo uma estimativa mais acurada para o cálculo da fluidoterapia.

Quando uma queimadura de segundo grau em criança exige tratamento intra-hospitalar?

Queimaduras de segundo grau em crianças exigem tratamento intra-hospitalar se forem extensas (geralmente >10% SCQ), se envolverem face, mãos, pés, genitália, períneo ou grandes articulações, ou se houver suspeita de abuso infantil, entre outras indicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo