UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Ao realizar a retirada de pontos, leva-se em consideração a migração epitelial, que consiste em uma etapa da resposta cicatricial de:
Migração epitelial → Componente da fase de regeneração/proliferação tecidual.
A migração epitelial ocorre logo após a lesão, onde queratinócitos se movem para selar a superfície, integrando a fase proliferativa ou de regeneração.
A cicatrização é um processo biológico complexo e dinâmico, tradicionalmente dividido em quatro fases sobrepostas: hemostasia, inflamação, proliferação (ou regeneração) e remodelamento. A migração epitelial é um dos eventos marcantes da fase proliferativa. Sob a influência de fatores de crescimento como EGF (Fator de Crescimento Epidérmico) e TGF-alfa, as células epiteliais basais iniciam um processo de 'epibolia', movendo-se em direção ao centro da ferida até que o contato com células do lado oposto interrompa o movimento (inibição por contato). Este fenômeno de regeneração do tecido conectivo e epitelial é o que permite a integridade estrutural inicial da ferida. Compreender que a migração epitelial faz parte da regeneração ajuda o cirurgião a entender a cronologia da cicatrização e a importância de um ambiente úmido e protegido, que favorece a velocidade dessa migração celular em comparação com feridas deixadas secas ao ar, onde a formação de crostas pode dificultar o deslizamento dos queratinócitos.
A migração epitelial é o processo pelo qual os queratinócitos localizados nas bordas da ferida e nos anexos cutâneos remanescentes (como folículos pilosos e glândulas sebáceas) sofrem alterações fenotípicas para se tornarem móveis. Elas perdem suas conexões desmossômicas, emitem pseudópodes e deslizam sobre a matriz extracelular provisória (composta por fibrina e fibronectina) para fechar o defeito superficial. Este processo começa poucas horas após a lesão e é um componente vital da fase proliferativa ou de regeneração, garantindo que a barreira protetora da pele seja restaurada rapidamente para evitar infecções e perda excessiva de fluidos.
Embora usados muitas vezes como sinônimos, tecnicamente a regeneração refere-se à substituição de células danificadas por células do mesmo tipo, restaurando a arquitetura original do tecido (como ocorre na epiderme). Já o reparo envolve a substituição do tecido original por tecido conjuntivo fibroso (cicatriz), o que ocorre na derme e tecidos profundos. A migração epitelial é um exemplo clássico de regeneração, pois busca restabelecer a continuidade da camada epitelial original. Na prática clínica de retirada de pontos, avalia-se se essa regeneração epitelial foi suficiente para manter a ferida selada sem o suporte das suturas.
A retirada de pontos depende do equilíbrio entre a regeneração epitelial (selamento da ferida) e a força tênsil conferida pela deposição de colágeno na derme. A migração epitelial completa-se geralmente em 24 a 48 horas em feridas suturadas por primeira intenção, criando uma barreira impermeável. No entanto, a força de união da derme ainda é mínima nesse estágio. Os pontos são mantidos por períodos variáveis (de 5 a 14 dias, dependendo da localização) para garantir que, além da migração epitelial, a fase de regeneração do tecido conectivo tenha progredido o suficiente para suportar as tensões mecânicas locais sem deiscência.
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