Regeneração do Nervo Facial e Síndrome das Lágrimas de Crocodilo

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

Sobre um paciente com lesão de sétimo nervo craniano e regeneração, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) A sensibilidade da glândula lacrimal pode ficar afetada, mas não a secreção.
  2. B) Pela proximidade ao núcleo do abducente, pode resultar diplopia vertical.
  3. C) Em alguns casos, há lacrimejamento com o aumento da salivação.
  4. D) Comumente, os ramos V1 e V2 recuperam-se sem deixar sequelas.

Pérola Clínica

Regeneração aberrante do VII par → Salivação estimula lacrimejamento (Lágrimas de Crocodilo).

Resumo-Chave

A regeneração anômala de fibras nervosas após lesão do nervo facial pode desviar estímulos autonômicos salivares para a glândula lacrimal.

Contexto Educacional

A paralisia do nervo facial pode ser periférica (ex: Paralisia de Bell) ou central. Na fase de recuperação de lesões periféricas graves, o fenômeno da regeneração aberrante é comum. Isso ocorre porque os axônios em crescimento podem perder o direcionamento original e reinervar estruturas erradas, resultando em sincinesias (movimentos musculares involuntários associados) ou fenômenos autonômicos anômalos. A Síndrome de Bogorad é o exemplo clássico de erro de direcionamento autonômico. O tratamento para casos sintomáticos graves pode incluir a aplicação de toxina botulínica na glândula lacrimal para bloquear a liberação de acetilcolina e reduzir o lacrimejamento excessivo durante as refeições. O manejo clínico exige diferenciar sequelas de regeneração de complicações agudas como a ceratite de exposição por lagoftalmo.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome das Lágrimas de Crocodilo?

Também conhecida como Síndrome de Bogorad ou reflexo gustolacrimal, ocorre após uma lesão do nervo facial proximal ao gânglio geniculado. Durante a regeneração, fibras parassimpáticas que originalmente deveriam ir para as glândulas salivares (via nervo corda do tímpano) acabam seguindo o trajeto para a glândula lacrimal (via nervo petroso superficial maior). Assim, o estímulo gustatório provoca lacrimejamento involuntário.

Por que lesões do VII par podem causar diplopia?

A diplopia associada a lesões do nervo facial geralmente não é causada pelo VII par em si, mas pela proximidade anatômica de seu núcleo com o núcleo do nervo abducente (VI par) na ponte. Lesões no tronco encefálico podem afetar ambos, resultando em paralisia facial ipsilateral e déficit de abdução ocular (diplopia horizontal). A diplopia vertical mencionada em questões costuma ser um distrator, pois envolveria outros nervos (III ou IV).

Como a sensibilidade da face é afetada na paralisia facial?

O nervo facial (VII par) é primariamente motor (músculos da expressão facial) e sensorial especial (paladar). A sensibilidade somática da face (dor, tato, temperatura) é responsabilidade do nervo trigêmeo (V par). Portanto, em uma paralisia facial isolada, a sensibilidade cutânea (ramos V1, V2, V3) permanece preservada, a menos que haja uma patologia compressiva ou inflamatória que envolva ambos os nervos.

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