CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2023
Ao abrir o olho debaixo d'agua sem o uso de óculos de proteção, um mergulhador notará um grande borramento da visão como consequência:
Visão borrada na água = perda da interface ar-córnea → ↓ poder refrativo corneano.
A córnea depende da diferença de índice de refração entre o ar (1.0) e o estroma (1.37). Na água (~1.33), essa diferença é mínima, eliminando a principal força de convergência do olho.
A óptica ocular baseia-se na Lei de Snell, onde a mudança de velocidade da luz entre meios com índices de refração diferentes causa a curvatura dos raios. A interface ar (n=1.0) e filme lacrimal/córnea (n=1.37) é onde ocorre a maior parte da refração ocular. Ao mergulhar sem proteção, a água (n=1.33) substitui o ar. Como o índice de refração da água é muito próximo ao da córnea, a luz quase não sofre desvio ao entrar no olho. O resultado é uma perda de quase 40 dioptrias de poder convergente, tornando impossível a formação de uma imagem nítida na retina para um olho humano normal.
A córnea contribui com aproximadamente +43 dioptrias, o que representa cerca de dois terços do poder refrativo total do olho humano.
Os óculos mantêm uma camada de ar em contato com a córnea. Isso restaura a interface ar-córnea, permitindo que a luz sofra a refração necessária para focar na retina.
Sem a interface com o ar, o olho torna-se extremamente hipermetrope, pois os raios de luz não convergem o suficiente, projetando o foco muito atrás da retina.
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