Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Um homem de 45 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, procura um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em estado de surto psicótico, acompanhado de sua família, que se encontra em desespero e solicita a internação imediata em um hospital psiquiátrico. A equipe do CAPS realiza o acolhimento e a escuta inicial. Diante do quadro, a conduta ética e tecnicamente mais adequada da equipe, de acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), é:
Crise psicótica → Acolhimento no CAPS + PTS + Leito noturno (se necessário) > Internação.
A Reforma Psiquiátrica prioriza o cuidado em liberdade e a base territorial. O CAPS deve manejar a crise através do acolhimento e do Projeto Terapêutico Singular, evitando a internação hospitalar.
A Reforma Psiquiátrica Brasileira, consolidada pela Lei 10.216/2001, redirecionou o modelo assistencial em saúde mental para uma rede de serviços de base comunitária, denominada Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o dispositivo estratégico central dessa rede, responsável pelo acompanhamento de casos graves e persistentes. O manejo da crise psicótica no CAPS baseia-se no acolhimento, na clínica ampliada e na construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS). O objetivo fundamental é manter o vínculo do paciente com seu território e família, utilizando a hospitalidade noturna como alternativa eficaz à internação hospitalar tradicional em hospitais psiquiátricos isolados. A ética do cuidado em liberdade pressupõe que o isolamento deve ser o último recurso, priorizando-se sempre a estabilização clínica e social no ambiente menos restritivo possível, garantindo a cidadania e a dignidade do usuário do sistema de saúde mental.
A internação psiquiátrica, segundo a Lei 10.216/2001, só deve ser indicada quando os recursos extra-hospitalares, como o CAPS, leitos de acolhimento noturno e suporte familiar, se mostrarem insuficientes para o manejo do quadro. Ela deve ser preferencialmente realizada em hospitais gerais que disponham de leitos de saúde mental, visando a estabilização clínica rápida e o retorno imediato ao acompanhamento no território de origem. O objetivo é evitar o isolamento social prolongado e a lógica manicomial, garantindo que o paciente mantenha seus vínculos sociais enquanto recebe o tratamento intensivo necessário para superar a fase aguda da crise.
O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito individual ou coletivo, sendo o resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar com a participação do paciente e sua família. No contexto da crise psicótica, o PTS envolve a escuta ativa, o manejo medicamentoso adequado, a articulação com a rede de apoio social e a definição de estratégias de cuidado intensivo. Isso pode incluir a frequência diária ao CAPS, oficinas terapêuticas e o uso de leitos de hospitalidade noturna, adaptando o tratamento às necessidades específicas e à singularidade do sujeito em sofrimento mental.
A principal diferença reside na capacidade operacional e no tempo de funcionamento dos serviços. O CAPS III funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados, e possui leitos de acolhimento noturno para observação e manejo de crises agudas por períodos curtos, geralmente até 14 dias. Já o CAPS II funciona em horário comercial (8h às 18h) e, embora realize o manejo de crises durante seu funcionamento, não possui estrutura para pernoite. Portanto, em situações de crise que demandam supervisão 24h, o CAPS II depende mais da articulação com a rede de urgência ou leitos em hospital geral.
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