Refluxo Vesicoureteral: Risco de DRC e Conduta Pediátrica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 2 anos e 9 meses de idade, atualmente assintomática é trazida para acompanhamento ambulatorial. AP: infecções urinárias de repetição desde os 3 meses de idade, última há 7 meses e está em uso de nitrofurantoina 1mg/kg/dia, diagnóstico de refluxo vesicoureteral grau II bilateral aos 5 meses de idade. Trouxe exames realizados há 1 mês (imagens A e B).Assinale a alternativa correta em relação ao risco da evolução para doença renal crônica e conduta, respectivamente.

Alternativas

  1. A) Não há risco; realizar consultas anuais em pediatria geral com aferição da PA, cultura de urina e dosagem da uréia sérica.
  2. B) Não há risco; avaliar história de disfunção vesical, orientar medidas de mudanças no estilo de vida e realizar consultas em Pediatria Geral.
  3. C) Há risco; avaliar história de disfunção vesical, aferir PA e seguimento com especialista com culturas de urina, dosagem creatinina sérica e albuminúria.
  4. D) Há risco; seguimento com especialista e avaliar peso e estatura, aferir PA, cultura de urina, dosagem da uréia sérica e clearance de creatinina anual.

Pérola Clínica

RVU grau II bilateral + infecções de repetição → alto risco de DRC, exige seguimento especializado e investigação de disfunção vesical.

Resumo-Chave

Crianças com Refluxo Vesicoureteral (RVU) e histórico de infecções urinárias de repetição têm risco aumentado de desenvolver doença renal crônica devido a cicatrizes renais. O seguimento deve ser especializado, incluindo monitoramento da função renal (creatinina, albuminúria) e avaliação de disfunção vesical, que pode perpetuar as infecções.

Contexto Educacional

O Refluxo Vesicoureteral (RVU) é uma condição comum na pediatria, caracterizada pelo fluxo retrógrado de urina da bexiga para os ureteres e, em casos mais graves, para os rins. Embora muitos casos de RVU primário se resolvam espontaneamente, a presença de infecções urinárias de repetição, especialmente pielonefrites, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de cicatrizes renais e, consequentemente, de Doença Renal Crônica (DRC). No caso clínico apresentado, a criança tem RVU grau II bilateral e histórico de infecções urinárias de repetição desde os 3 meses de idade, apesar da profilaxia com nitrofurantoína. Esse cenário indica um risco considerável de progressão para DRC. O seguimento desses pacientes deve ser rigoroso e multidisciplinar, envolvendo nefrologistas pediátricos. A avaliação da disfunção vesical é crucial, pois problemas como bexiga hiperativa ou dissinergia detrusor-esfincteriana podem perpetuar as infecções e o dano renal. O monitoramento da função renal inclui a aferição regular da pressão arterial (PA), pois a hipertensão é uma complicação comum da DRC, e a dosagem de creatinina sérica e albuminúria. A albuminúria é um marcador precoce de lesão renal e sua detecção permite intervenções para retardar a progressão da doença. Culturas de urina periódicas são necessárias para identificar e tratar precocemente novas infecções. O objetivo é preservar a função renal e melhorar a qualidade de vida da criança.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre Refluxo Vesicoureteral e Doença Renal Crônica?

O Refluxo Vesicoureteral (RVU), especialmente quando associado a infecções urinárias de repetição, pode levar a pielonefrites agudas. Essas infecções, se não tratadas adequadamente, podem causar cicatrizes renais e perda progressiva da função renal, culminando em Doença Renal Crônica (DRC).

Por que a avaliação da disfunção vesical é importante em crianças com RVU?

A disfunção vesical (como bexiga neurogênica ou disfunção miccional) pode dificultar o esvaziamento completo da bexiga, favorecendo a estase urinária e o crescimento bacteriano. Isso aumenta o risco de infecções urinárias, que, por sua vez, podem exacerbar o dano renal em crianças com RVU.

Quais exames são essenciais no seguimento de crianças com RVU e risco de DRC?

O seguimento deve incluir aferição regular da pressão arterial, culturas de urina para monitorar infecções, dosagem de creatinina sérica para avaliar a função renal e albuminúria para detectar lesão glomerular precoce. Exames de imagem periódicos, como ultrassonografia renal, também são importantes para monitorar o parênquima renal.

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