Refluxo Vesicoureteral Pediátrico: Diagnóstico e Manejo

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 3 anos de idade, é encaminhado ao cirurgião pediátrico para investigação de episódios recorrentes de infecção urinária, iniciados antes do primeiro ano de vida. Já realizou postectomia, sem melhora dos quadros infecciosos. É submetido à cistouretrografia miccional e a ultrassonografia abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Refluxo vesicoureteral, com hidronefrose.
  2. B) Válvula de uretra posterior, com hidronefrose unilateral.
  3. C) Válvula de uretra posterior, com hidronefrose bilateral.
  4. D) Bexiga neuropática.

Pérola Clínica

Infecção urinária recorrente + hidronefrose + cistouretrografia miccional alterada = Refluxo Vesicoureteral (RVU).

Resumo-Chave

O refluxo vesicoureteral (RVU) é uma condição comum em crianças com infecções urinárias recorrentes, onde a urina retorna da bexiga para os ureteres e rins. A hidronefrose, dilatação do sistema coletor renal, pode ser uma complicação do RVU, e a cistouretrografia miccional é o exame padrão-ouro para seu diagnóstico e graduação.

Contexto Educacional

O refluxo vesicoureteral (RVU) é uma condição urológica pediátrica comum, caracterizada pelo fluxo retrógrado de urina da bexiga para o ureter e, em casos mais graves, para o rim. É uma das causas mais frequentes de infecções do trato urinário (ITU) recorrentes em crianças, especialmente pielonefrites, que podem levar a danos renais permanentes, como cicatrizes e insuficiência renal. A suspeita de RVU deve surgir em crianças com ITUs febris recorrentes, hidronefrose pré-natal ou dilatação do trato urinário na ultrassonografia. O diagnóstico definitivo do RVU é feito pela cistouretrografia miccional (CUM), que permite visualizar o refluxo e graduar sua gravidade (graus I a V). A ultrassonografia renal e de vias urinárias é um exame complementar importante para avaliar a presença de hidronefrose, dilatação ureteral e cicatrizes renais. A postectomia, mencionada no caso, pode reduzir o risco de ITU em meninos, mas não corrige o RVU em si. O manejo do RVU varia conforme o grau e a presença de ITUs. Pode incluir profilaxia antibiótica, vigilância e, em casos selecionados, intervenção cirúrgica (reimplante ureteral) ou endoscópica. O objetivo principal é prevenir infecções urinárias e proteger a função renal. É fundamental diferenciar o RVU de outras uropatias obstrutivas, como a válvula de uretra posterior, que apresenta um quadro clínico e achados radiológicos distintos, como obstrução infravesical e hidronefrose bilateral mais acentuada.

Perguntas Frequentes

Qual é a importância da cistouretrografia miccional no diagnóstico do refluxo vesicoureteral?

A cistouretrografia miccional (CUM) é o exame padrão-ouro para diagnosticar e graduar o refluxo vesicoureteral, permitindo visualizar o refluxo de urina da bexiga para os ureteres e rins durante a micção, além de identificar anormalidades anatômicas da uretra.

Quais são as principais complicações do refluxo vesicoureteral não tratado?

As principais complicações incluem infecções urinárias recorrentes (pielonefrite), cicatrizes renais, hipertensão arterial e doença renal crônica, que podem levar à insuficiência renal.

Como diferenciar o refluxo vesicoureteral de uma válvula de uretra posterior?

A válvula de uretra posterior (VUP) é uma obstrução infravesical que causa dilatação bilateral do trato urinário superior e bexiga de paredes espessadas, enquanto o RVU é uma incompetência da junção ureterovesical, podendo ser unilateral e sem obstrução infravesical. A CUM é crucial para essa diferenciação.

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