Profilaxia Antibiótica no Refluxo Vesicoureteral Grau II

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Menina com 1 ano de idade, em bom estado geral, é levada à consulta médica. Tem história de infecção urinária (ITU) de repetição e investigação radiológica demonstrando refluxo vesicoureteral grau II. Considerando as evidências mais recentes quanto à eficácia e segurança da profilaxia com antibióticos para crianças com infecção urinária, escolha a conduta mais adequada para esta criança:

Alternativas

  1. A) A profilaxia está indicada pela eficácia na prevenção de novos episódios, apesar dos efeitos colaterais dos antibióticos em longo prazo.
  2. B) A profilaxia não está indicada, pois não diminui a incidência de novos episódios e pode selecionar a flora para recorrências de ITU.
  3. C) A quimioprofilaxia tem indicação precisa neste caso de refluxo vesico-ureteral e é segura, desde que administrada em baixas doses.
  4. D) A quimioprofilaxia é discutível neste caso por tratar-se de uma menina, apesar de sua segurança ter sido demonstrada em estudos.
  5. E) A profilaxia deve ser indicada neste caso e nos demais casos de refluxo vesico-ureteral até sua resolução ou correção cirúrgica.

Pérola Clínica

VUR graus I-II em crianças estáveis → Profilaxia antibiótica geralmente não indicada (risco de resistência > benefício).

Resumo-Chave

Evidências atuais mostram que a profilaxia em refluxos de baixo grau não previne cicatrizes renais e aumenta significativamente o risco de infecções por bactérias multirresistentes.

Contexto Educacional

O manejo do Refluxo Vesicoureteral (RVU) passou por mudanças drásticas na última década. Antigamente, qualquer grau de refluxo era indicação quase absoluta de profilaxia antibiótica prolongada. No entanto, ensaios clínicos randomizados demonstraram que a profilaxia não é eficaz na prevenção de cicatrizes renais permanentes em refluxos de baixo grau (I, II e às vezes III). A conduta atual prioriza o tratamento de disfunções vesicais e intestinais (como a constipação) e a vigilância ativa. A quimioprofilaxia pode até reduzir a recorrência de ITUs febris, mas ao custo de selecionar microrganismos resistentes, o que torna as infecções subsequentes mais graves e difíceis de manejar. Portanto, para uma criança de 1 ano com RVU grau II e bom estado geral, a conduta mais adequada é a não realização da profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quando indicar profilaxia no refluxo vesicoureteral (RVU)?

Atualmente, a indicação de quimioprofilaxia é restrita. Em casos de RVU de baixo grau (I e II) em crianças sem outras complicações, a tendência é a observação clínica. A profilaxia costuma ser reservada para RVU de alto grau (IV e V), disfunções miccionais graves associadas ou quando há recorrências frequentes de ITUs febris que comprovadamente aumentam o risco de dano renal.

Quais os riscos da profilaxia antibiótica prolongada?

O principal risco é a seleção de bactérias resistentes na flora intestinal e urinária da criança. Estudos como o RIVUR demonstraram que, embora a profilaxia possa reduzir o número de ITUs em alguns subgrupos, as infecções que ocorrem durante o uso do antibiótico são causadas por patógenos muito mais difíceis de tratar, sem reduzir a incidência de cicatrizes renais a longo prazo.

RVU grau II em menina de 1 ano precisa de cirurgia?

Geralmente não. O refluxo vesicoureteral de graus I e II apresenta uma alta taxa de resolução espontânea com o crescimento da criança. O manejo é predominantemente conservador, focando em orientações de higiene, tratamento de constipação e vigilância clínica para tratar prontamente novas infecções, caso ocorram.

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