CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Em relação ao refluxo vesicoureteral (RVU), é correto afirmar que:
RVU graus I-III → Alta taxa de resolução espontânea; acompanhamento clínico é a conduta inicial.
O refluxo vesicoureteral (RVU) de baixo grau em crianças tem grande potencial de resolução espontânea com o crescimento, permitindo uma abordagem conservadora focada na prevenção de ITUs.
O refluxo vesicoureteral (RVU) é a anomalia urológica mais comum em crianças avaliadas após uma infecção do trato urinário (ITU). A classificação internacional divide o RVU em cinco graus baseados na extensão do refluxo e no grau de dilatação do sistema coletor observado na cistouretrografia miccional (CUGM). O manejo moderno prioriza a observação clínica para os graus leves a moderados, pois a taxa de resolução espontânea é inversamente proporcional ao grau do refluxo e à idade do diagnóstico. A intervenção cirúrgica (ureteroneocistostomia ou injeção endoscópica de agentes expansores) é reservada para casos de refluxo de alto grau persistente, falha do tratamento clínico (ITUs febris de repetição apesar da profilaxia) ou evidência de novas cicatrizes renais.
O RVU é o fluxo retrógrado da urina da bexiga para o trato urinário superior (ureteres e rins). É causado principalmente por uma falha no mecanismo de válvula da junção ureterovesical, onde o ureter entra na bexiga de forma muito curta ou em ângulo inadequado. É classificado de I a V, sendo o grau I o mais leve (apenas ureter) e o grau V o mais grave (grande dilatação e tortuosidade ureteral com perda das impressões papilares renais).
Estudos mostram que a maioria dos casos de RVU de graus I, II e até III resolve-se espontaneamente à medida que a criança cresce e a anatomia da junção ureterovesical se alonga e amadurece. O objetivo do tratamento não é 'curar' o refluxo mecanicamente de imediato, mas sim proteger os rins de infecções ascendentes (pielonefrites) que podem causar cicatrizes renais e hipertensão futura, enquanto se aguarda a resolução natural.
A indicação de profilaxia antibiótica é controversa e individualizada. Geralmente é recomendada para crianças com refluxo de alto grau (IV e V), lactentes com refluxo após a primeira ITU febril enquanto aguardam exames, ou crianças com disfunção miccional associada. O objetivo é manter a urina estéril para que, caso ocorra o refluxo, não haja transporte de bactérias para o parênquima renal.
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