DRGE Pós-Sleeve: Quando Converter para Bypass Gástrico?

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 35 anos, sexo masculino, submetido a Gastrectomia Vertical a Sleeve há 4 anos. Apresentou adequada perda de peso e controle da hipertensão arterial e apnéia obstrutiva do sono, que eram suas principais comorbidades prévias. Há mais de 3 anos, vem apresentando azia constante, controlada apenas com uso de inibidor de bomba de prótons (IBP) de forma contínua. Sempre que tenta suspender a medicação, retornam os sintomas. A última endoscopia digestiva alta mostra esofagite erosiva grau C, com pequena hérnia hiatal por deslizamento. Diante do quadro clínico descrito acima, qual a melhor opção de tratamento para este paciente?

Alternativas

  1. A) Manter IBP de forma contínua, já que os sintomas são controlados com o uso de medicamentos.
  2. B) Tratamento cirúrgico, com fundoplicatura gástrica e hiatoplastia.
  3. C) Tratamento cirúrgico, com conversão para bypass gástrico em Y de Roux.
  4. D) Tratamento cirúrgico, com conversão para switch duodenal.
  5. E) Tratamento endoscópico, com dilatação pilórica para reduzir a pressão intragástrica.

Pérola Clínica

DRGE grave pós-Sleeve + esofagite C + IBP refratário → conversão para Bypass Y de Roux.

Resumo-Chave

Pacientes com DRGE grave e refratária após gastrectomia vertical (Sleeve), especialmente com esofagite grau C e dependência de IBP, são candidatos à cirurgia revisional. A conversão para bypass gástrico em Y de Roux é a opção mais eficaz para tratar o refluxo nesses casos.

Contexto Educacional

A gastrectomia vertical (Sleeve) é uma das cirurgias bariátricas mais realizadas, com excelentes resultados na perda de peso e resolução de comorbidades. No entanto, uma complicação crescente é o desenvolvimento ou piora da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intragástrica no estômago tubular, a perda do fundo gástrico (que atua como barreira antirrefluxo) e a possível formação ou exacerbação de hérnia hiatal. O paciente do caso apresenta DRGE grave (esofagite erosiva grau C) e refratária ao tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP) de forma contínua, há mais de 3 anos. A presença de uma pequena hérnia hiatal por deslizamento contribui para o quadro. Nestes casos, a manutenção do IBP de forma contínua não é a melhor opção a longo prazo devido aos riscos de progressão da esofagite e desenvolvimento de Esôfago de Barrett, além de possíveis efeitos adversos do uso crônico de IBP. A melhor opção de tratamento para DRGE grave e refratária pós-Sleeve é a cirurgia revisional. Entre as opções, a conversão para bypass gástrico em Y de Roux é considerada o padrão-ouro. Este procedimento cria uma nova anatomia que desvia o fluxo biliar e pancreático, reduzindo o refluxo para o esôfago e aliviando os sintomas de forma mais eficaz do que outras intervenções, como a fundoplicatura isolada, que pode não ser suficiente para o refluxo de alto volume pós-Sleeve.

Perguntas Frequentes

Por que a gastrectomia vertical (Sleeve) pode causar ou piorar o refluxo gastroesofágico?

A gastrectomia vertical pode causar ou piorar o refluxo devido à remoção do fundo gástrico (que atua como reservatório), aumento da pressão intragástrica no estômago tubular remanescente e possível disfunção do esfíncter esofágico inferior, além da formação ou exacerbação de hérnia hiatal.

Quais são as indicações para cirurgia revisional em pacientes com DRGE pós-Sleeve?

A cirurgia revisional é indicada para pacientes com DRGE grave e refratária ao tratamento clínico otimizado com IBP, especialmente na presença de esofagite erosiva avançada (grau C ou D), estenose esofágica ou Esôfago de Barrett.

Por que o bypass gástrico em Y de Roux é a melhor opção para DRGE refratária pós-Sleeve?

O bypass gástrico em Y de Roux é eficaz porque desvia o fluxo biliar e pancreático do esôfago e do estômago remanescente, criando uma alça alimentar que reduz o contato do conteúdo gástrico com o esôfago, diminuindo significativamente o refluxo.

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