UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Em relação ao refluxo gastroesofágico na população pediátrica, é INCORRETO afirmar:
RGE fisiológico é comum em lactentes; procinéticos não cicatrizam lesões esofágicas nem diminuem relaxamentos do EEI.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é comum em lactentes e geralmente não requer medicação. Sinais de alarme indicam RGE patológico. Os procinéticos não são a terapia primária para cicatrização de lesões esofágicas e não atuam diretamente na redução dos relaxamentos transitórios do esfíncter esofágico inferior.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é uma condição comum na população pediátrica, especialmente em lactentes, e é fundamental para residentes distinguir entre o RGE fisiológico e a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) patológica. O RGE fisiológico é caracterizado por regurgitações frequentes que geralmente começam a partir do segundo ao quarto mês de vida, atingindo um pico de incidência entre o quarto e quinto mês, e tendem a resolver espontaneamente até o primeiro ano de vida, sem causar prejuízo ao desenvolvimento da criança. A maioria dos lactentes com RGE fisiológico não necessita de intervenção medicamentosa, sendo as medidas comportamentais e dietéticas a primeira linha de abordagem. No entanto, a presença de sinais de alarme, como distensão abdominal, vômitos biliosos ou com sangue, baixo ganho de peso, recusa alimentar persistente, irritabilidade intensa, apneia ou início dos vômitos após os seis meses de vida, deve levantar a suspeita de DRGE ou outras condições mais graves, exigindo investigação e tratamento. Em crianças maiores e adolescentes com sintomas típicos de DRGE e sem sinais de alerta, um teste terapêutico empírico com inibidor da bomba de prótons (IBP) por quatro semanas é uma conduta aceitável e frequentemente eficaz. É incorreto afirmar que os procinéticos diminuem a frequência do relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior (EEI) e induzem a cicatrização das lesões esofágicas. Os procinéticos atuam principalmente aumentando o esvaziamento gástrico e a motilidade esofágica, mas não têm impacto significativo na frequência dos relaxamentos transitórios do EEI, que são o principal mecanismo do refluxo. Para a cicatrização de lesões esofágicas (esofagite), os IBPs são a classe de medicamentos mais eficaz, pois reduzem a produção de ácido gástrico. O uso de procinéticos deve ser avaliado criteriosamente devido aos potenciais efeitos adversos.
O refluxo gastroesofágico é considerado fisiológico em lactentes quando há regurgitações frequentes, mas sem comprometimento do ganho de peso, irritabilidade excessiva, esofagite ou outros sintomas de doença. Geralmente, melhora espontaneamente com o amadurecimento do esfíncter esofágico inferior e a introdução de alimentos sólidos, com pico de incidência entre 4 e 5 meses de vida.
Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso, vômitos biliosos ou com sangue, distensão abdominal, início dos vômitos após os 6 meses de vida, recusa alimentar persistente, irritabilidade intensa, apneia, sibilância recorrente, disfagia e anemia. A presença desses sinais sugere a necessidade de investigação e tratamento mais aprofundados.
Os procinéticos, como a domperidona ou metoclopramida, podem ser usados para acelerar o esvaziamento gástrico e reduzir o volume de refluxo. No entanto, eles não são eficazes na cicatrização de lesões esofágicas e não diminuem a frequência dos relaxamentos transitórios do esfíncter esofágico inferior, que são o principal mecanismo do refluxo. Seu uso deve ser cauteloso devido aos potenciais efeitos adversos.
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