SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Os pais de um lactente de com quatro meses de vida levaram-no à consulta, com queixa de que a criança vem apresentando vários episódios de regurgitação após as mamadas e alguns episódios de vômito, também após as mamadas, há cerca de três semanas. Os pais estão bastante ansiosos com esse quadro, mas negam outras queixas. A mãe refere que a criança nasceu de 39 semanas (peso de nascimento 3.500 g, não se lembra da estatura) e recebeu alta no terceiro dia de vida. Nega intercorrências desde então, exceto pelos vômitos e regurgitações há três semanas. O lactente está em aleitamento materno exclusivo, com peso durante a consulta igual a 6.350 g, sem alterações ao exame físico. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.
Lactente com regurgitação/vômito, bom ganho de peso e exame normal → Refluxo fisiológico, tranquilizar e orientar medidas comportamentais.
O caso descreve um lactente com regurgitação e vômitos, mas com bom ganho ponderal e exame físico normal. Isso sugere refluxo gastroesofágico fisiológico, uma condição comum e benigna em bebês. A conduta deve ser tranquilizar os pais e orientar medidas comportamentais, evitando investigações desnecessárias.
A regurgitação e os vômitos são queixas extremamente comuns em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. Na maioria dos casos, representam o refluxo gastroesofágico fisiológico, uma condição benigna que se resolve espontaneamente com o amadurecimento do esfíncter esofágico inferior e do sistema digestório. É crucial para o residente e o pediatra saber diferenciar o refluxo fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) patológica, que requer investigação e tratamento. O diagnóstico de refluxo gastroesofágico fisiológico é clínico e baseia-se na presença de regurgitações e/ou vômitos sem outros sinais de alarme, como baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, disfagia, hematêmese, apneia ou sibilância. No caso apresentado, o lactente tem bom ganho de peso e exame físico normal, o que corrobora a hipótese de refluxo fisiológico. A ansiedade dos pais é compreensível, mas deve ser manejada com informação e tranquilização. A conduta para o refluxo fisiológico é primariamente não farmacológica e consiste em orientações aos pais. Isso inclui evitar o overfeeding (alimentar em volumes menores e com maior frequência), manter o bebê em posição vertical por um tempo após as mamadas, evitar roupas apertadas e o tabagismo passivo, que pode piorar o refluxo. A troca de fraldas antes das mamadas também minimiza a pressão abdominal. Exames complementares ou medicamentos só são indicados se houver sinais de DRGE patológica ou complicações.
Os sinais de refluxo gastroesofágico fisiológico incluem regurgitações e vômitos frequentes após as mamadas, mas sem comprometimento do ganho de peso, irritabilidade excessiva, dificuldade respiratória ou outros sinais de alarme. O lactente geralmente está bem e se desenvolve normalmente.
Medidas comportamentais incluem evitar o overfeeding (alimentar em pequenas quantidades e mais frequentemente), manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas, evitar roupas apertadas na barriga, e eliminar o tabagismo passivo no ambiente do bebê. Trocar as fraldas antes das mamadas também pode ajudar a evitar pressão abdominal.
Deve-se preocupar e buscar investigação quando os vômitos são persistentes, em jato, associados a baixo ganho de peso ou perda de peso, irritabilidade intensa, recusa alimentar, sangue no vômito, dificuldade respiratória, ou outros sinais de alarme que sugiram uma condição patológica subjacente.
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