UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
Luana, lactante de 2 meses, e levada a consulta de Pronto Socorro com queixa de episódios de regurgitação várias vezes ao dia, choro frequente, especialmente no fim da tarde, que ocorre em média de 3 a 4 dias por semana. Esta em aleitamento materno exclusivo, nasceu de parto normal, sem intercorrências, peso ao nascer 3030g. O peso atual é 4600g, o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado e não há anormalidades no exame físico. Sobre o caso, podemos afirmar:
Lactente com regurgitação, choro, mas bom ganho de peso e DNPM normal → Refluxo fisiológico. Manejo: medidas posturais.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é comum em lactentes, caracterizado por regurgitações frequentes sem comprometimento do desenvolvimento ou ganho de peso. A conduta inicial é conservadora, focando em medidas posturais e orientações à família, evitando intervenções desnecessárias.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é uma condição extremamente comum em lactentes, afetando até 70% dos bebês nos primeiros meses de vida. É caracterizado pela passagem retrógrada do conteúdo gástrico para o esôfago, manifestando-se como regurgitações. A imaturidade do esfíncter esofágico inferior e a dieta líquida contribuem para sua alta incidência, que geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses de idade. É crucial para o residente saber diferenciar essa condição benigna da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), que implica em complicações e requer intervenção. O diagnóstico do refluxo fisiológico é clínico, baseado na história de regurgitações sem sinais de alarme, como baixo ganho de peso, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, hematêmese ou sintomas respiratórios. O exame físico é tipicamente normal, e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado. Não são necessários exames complementares para o diagnóstico de refluxo fisiológico. A suspeita de DRGE, por sua vez, exige uma investigação mais aprofundada, que pode incluir pHmetria, impedanciometria ou endoscopia digestiva alta. O tratamento do refluxo fisiológico é primariamente não farmacológico, com foco em orientações à família. Medidas como manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas, evitar superalimentação, e garantir um arroto eficaz são eficazes. Em casos de aleitamento artificial, a troca para fórmulas espessadas pode ser considerada, mas não é a primeira linha. O uso de procinéticos ou antagonistas H2 é contraindicado no refluxo fisiológico e deve ser reservado para casos de DRGE, após avaliação médica criteriosa.
O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações frequentes sem comprometimento do ganho de peso, desenvolvimento neuropsicomotor ou sinais de esofagite. A DRGE, por outro lado, apresenta sintomas como irritabilidade intensa, recusa alimentar, perda de peso, hematêmese ou sintomas respiratórios crônicos.
A conduta inicial é conservadora e inclui medidas comportamentais. Orientar a mãe a manter o bebê em posição elevada por 20-30 minutos após as mamadas, evitar superalimentação, e garantir um bom posicionamento durante a amamentação são as principais recomendações.
O tratamento medicamentoso (procinéticos, anti-H2, IBP) é reservado para casos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) comprovada, onde há falha das medidas conservadoras e presença de complicações, como esofagite, falha de crescimento ou sintomas respiratórios graves.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo