FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
Lactente de 2 meses, sexo feminino, é trazido por seus pais à consulta de puericultura. Os pais relatam que o lactente está em aleitamento materno exclusivo e que apresenta episódios de regurgitação após todas as mamadas. O exame físico está dentro da normalidade e o desenvolvimento está adequado para a faixa etária. O ganho ponderal foi de 940g em relação ao mês anterior. Qual a conduta adequada para o caso?
Regurgitação em lactente com bom ganho ponderal e desenvolvimento normal → Refluxo fisiológico, conduta: medidas posturais e manter AM.
A regurgitação é comum em lactentes jovens devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior. Se o bebê apresenta bom ganho ponderal, desenvolvimento adequado e ausência de sinais de alarme, trata-se de refluxo gastroesofágico fisiológico, que requer apenas medidas de suporte e orientação.
A regurgitação é um achado extremamente comum em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, e na maioria das vezes representa um refluxo gastroesofágico fisiológico (RGEF). Este é caracterizado pela passagem de conteúdo gástrico para o esôfago sem causar sintomas significativos ou complicações, e geralmente se resolve espontaneamente até o primeiro ano de vida. O diagnóstico de RGEF é clínico e baseia-se na ausência de sinais de alarme, como baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, hematêmese, ou sintomas respiratórios. Em casos de RGEF, o lactente apresenta bom desenvolvimento e ganho de peso adequado, como no caso descrito. A conduta adequada é tranquilizar os pais e orientar medidas não farmacológicas. As medidas incluem manter o aleitamento materno exclusivo, que é a melhor opção nutricional, e adotar medidas posturais, como manter o bebê em posição vertical após as mamadas e evitar compressão abdominal. O uso de fórmulas anti-regurgitantes ou medicamentos é reservado para casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), onde há comprometimento do bem-estar ou complicações, o que não se aplica a este cenário.
Sinais de alarme incluem baixo ganho ponderal, recusa alimentar, irritabilidade excessiva, choro intenso, hematêmese, apneia, sibilância ou pneumonia de repetição.
Manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas, elevar a cabeceira do berço (com cautela), e evitar roupas apertadas na barriga.
O tratamento medicamentoso é reservado para casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) com sintomas graves ou complicações, após falha das medidas não farmacológicas.
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