Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2025
João, lactente, três meses, é levado ao consultório pela mãe devido a episódios frequentes de regurgitação após as mamadas. A mãe relata que as regurgitações ocorrem várias vezes ao dia, mas João está ganhando peso adequadamente e não apresenta irritabilidade. No exame físico, o lactente parece saudável, ativo e sem sinais de desidratação. A mãe menciona que, apesar das regurgitações, ele está se alimentando bem e não teve episódios de vômito bilioso ou hematêmese. Com relação a este caso, é CORRETO afirmar:
Regurgitação em lactente com bom ganho ponderal e sem irritabilidade → RGE fisiológico, sem tratamento.
O refluxo gastroesofágico (RGE) fisiológico é comum em lactentes, manifestando-se como regurgitações frequentes. A chave para diferenciá-lo da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é a ausência de sintomas de alarme, como baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, vômitos biliosos ou hematêmese. Nesses casos, a conduta é expectante.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Isso ocorre devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior e à dieta predominantemente líquida. Estima-se que até 70% dos lactentes apresentem regurgitações nos primeiros meses de vida, com pico de incidência entre 2 e 4 meses, e resolução espontânea na maioria dos casos até os 12-18 meses. A distinção entre RGE fisiológico e Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é crucial. Enquanto o RGE fisiológico se manifesta apenas com regurgitações, sem impacto no estado geral do bebê (bom ganho ponderal, sem irritabilidade, sem sinais de esofagite), a DRGE envolve sintomas mais graves e complicações, como baixo ganho de peso, irritabilidade, recusa alimentar, esofagite, apneia ou broncoespasmo. A presença de vômitos biliosos ou hematêmese sempre indica uma condição mais séria e requer investigação imediata. Para residentes e estudantes, a abordagem do lactente com regurgitações deve ser baseada em uma anamnese detalhada e exame físico completo, buscando ativamente os sinais de alarme. O manejo do RGE fisiológico é conservador, focando em orientações aos pais e tranquilização. Evitar tratamentos desnecessários é fundamental, pois a maioria dos lactentes se recupera sem intervenção medicamentosa, e o uso indiscriminado de medicamentos pode ter efeitos adversos.
O RGE fisiológico é diagnosticado pela presença de regurgitações frequentes em um lactente que apresenta bom ganho ponderal, está ativo, sem irritabilidade excessiva, e sem outros sinais de alarme como vômitos biliosos, hematêmese ou recusa alimentar.
Deve-se preocupar se o bebê apresentar baixo ganho de peso, irritabilidade intensa, recusa alimentar, choro excessivo, vômitos biliosos ou com sangue, ou sinais de desconforto respiratório. Nesses casos, a investigação para DRGE ou outras condições é necessária.
O RGE fisiológico geralmente não requer tratamento medicamentoso. Medidas conservadoras como fracionar as mamadas, manter o bebê em posição vertical após a alimentação e evitar superalimentação são frequentemente suficientes. A condição tende a melhorar espontaneamente com o amadurecimento do esfíncter esofágico inferior.
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