PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019
Lactente de 5 meses de idade está evoluindo com regurgitações e choro frequentes. A mãe vem à consulta questionando a possibilidade de "refluxo" pois o filho de sua vizinha tem os mesmos sintomas e está usando medicação para tratamento. Não há outros sintomas associados. A criança recebe leite materno e alimentação complementar com papas e frutas. O peso da criança está entre os escores Z zero e +1. Ao exame físico, não existem alterações. Com relação à conduta inicial relacionada a este caso, a afirmativa CORRETA é:
Refluxo fisiológico em lactentes: fracionar refeições e manter vertical pós-alimentação são condutas iniciais.
Em lactentes com regurgitações e choro frequente, mas com bom ganho ponderal e sem outros sinais de alarme, a conduta inicial deve focar em medidas comportamentais, como fracionar as refeições e manter o bebê em posição vertical após a alimentação, pois geralmente se trata de refluxo gastroesofágico fisiológico.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pela passagem involuntária do conteúdo gástrico para o esôfago, manifestando-se como regurgitações. Na maioria dos casos, é benigno e autolimitado, não causando complicações significativas. A questão descreve um cenário típico de RGE fisiológico: lactente com regurgitações e choro, mas com bom ganho ponderal e exame físico normal. A conduta inicial para o RGE fisiológico é sempre não farmacológica. As medidas comportamentais visam reduzir a frequência e o volume das regurgitações. O fracionamento das refeições (menor volume por mamada, mais frequentemente) diminui a distensão gástrica. Manter o lactente em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas utiliza a gravidade para auxiliar na contenção do conteúdo gástrico. Para residentes, é crucial diferenciar o RGE fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que envolve complicações ou sintomas que afetam a qualidade de vida. A ausência de sinais de alarme (como baixo peso, recusa alimentar, irritabilidade severa) e o bom desenvolvimento ponderal são indicativos de RGE fisiológico. O uso de pró-cinéticos ou dietas de exclusão (como a de proteína do leite de vaca) deve ser reservado para casos com sinais de DRGE ou suspeita de outras condições subjacentes, após a falha das medidas comportamentais.
Sinais de alarme incluem baixo ganho ponderal, recusa alimentar, irritabilidade intensa, hematêmese, melena, apneia, sibilância, pneumonia de repetição ou disfagia, que sugerem doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).
Fracionar as refeições diminui o volume gástrico em cada mamada, reduzindo a pressão sobre o esfíncter esofágico inferior. Manter a posição vertical após a alimentação utiliza a gravidade para auxiliar na retenção do conteúdo gástrico.
A exclusão de proteína do leite de vaca deve ser considerada se houver suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que pode se manifestar com regurgitações, mas geralmente acompanhada de outros sintomas como baixo ganho ponderal, dermatite atópica, diarreia ou sangue nas fezes.
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