HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2022
Em rotina de atendimentos de crescimento e desenvolvimento, o médico atende o lactente M.C.B., 3 meses. A mãe queixa-se que a criança está apresentando episódios de vômitos após as mamadas e que gostaria de iniciar medicamentos para refluxo, uma vez que seu filho mais velho tinha história de uso de omeprazol e domperidona nesta mesma idade e, na época, tinha sintomas muito semelhantes. O médico então examina a criança e observa que o mesmo está tranquilo, apresenta medidas de peso, estatura e circunferência da cabeça adequadas para sua idade e vê conteúdo de leite levemente talhado, escorrendo pelo canto da boca do mesmo. A mãe também observa o fato e ressalta tratar-se do refluxo que ela havia se referido no início da consulta. Qual a conduta mais adequada para o caso?
Regurgitação fisiológica em lactentes sem comprometimento ponderal → medidas dietéticas e posturais.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é comum em lactentes, manifestando-se como regurgitações sem sinais de alarme (perda de peso, irritabilidade, disfagia). A conduta inicial deve ser não farmacológica, focando em orientações sobre volume das mamadas, frequência e posicionamento pós-prandial.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é uma condição comum em lactentes, caracterizada pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, manifestando-se como regurgitações ou vômitos. Sua alta prevalência nos primeiros meses de vida se deve à imaturidade do esfíncter esofágico inferior e à dieta líquida. É crucial diferenciar o refluxo fisiológico, que não causa comprometimento do estado geral ou ganho ponderal, da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que cursa com sintomas mais graves e complicações. O diagnóstico do refluxo fisiológico é clínico, baseado na ausência de sinais de alarme e no bom desenvolvimento ponderoestatural da criança. Exames complementares como pHmetria ou endoscopia são reservados para casos suspeitos de DRGE. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema digestório, que tende a se resolver espontaneamente até os 12-18 meses de idade. A suspeita de DRGE surge quando há sintomas como perda de peso, irritabilidade, recusa alimentar, hematêmese ou sintomas respiratórios recorrentes. A conduta para o refluxo fisiológico é primariamente não farmacológica, incluindo orientações dietéticas (fracionamento das mamadas, evitar superalimentação) e posturais (manter o lactente em posição vertical após as mamadas). O uso de medicamentos como inibidores de bomba de prótons ou procinéticos não é indicado para refluxo fisiológico devido à falta de eficácia comprovada e aos potenciais efeitos adversos. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos.
Sinais de alarme incluem perda de peso ou baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, disfagia, hematêmese, apneia ou broncoespasmo recorrente. A presença desses sintomas sugere doença do refluxo e requer investigação.
As medidas incluem fracionar as mamadas, evitar superalimentação, manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas, e, em alguns casos, espessar o leite materno ou fórmula com orientação médica.
O uso de inibidores de bomba de prótons (como omeprazol) e procinéticos (como domperidona) não é recomendado para refluxo fisiológico devido aos potenciais efeitos adversos e à falta de evidências de benefício significativo nesses casos. A maioria dos refluxos fisiológicos se resolve espontaneamente.
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