Regurgitação em Lactentes: Manejo do Refluxo Fisiológico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 4 meses apresenta regurgitações frequentes após as mamadas, além de chorar de 30 a 60 minutos por dia. Está recebendo volume adequado de fórmula láctea. O ganho de peso é adequado e está no percentil 50. A conduta é:

Alternativas

  1. A) solicitar um exame contrastado de esôfago-estômago-duodeno para diagnosticar refluxo gastroesofágico.
  2. B) solicitar exame de pHmetria esofágica de 24 horas para demonstrar doença do refluxo gastroesofágico.
  3. C) recomendar a substituição por fórmula infantil antirregurgitação.
  4. D) prescrever medicação para redução da secreção ácida gástrica.

Pérola Clínica

Lactente com regurgitação e bom ganho de peso: refluxo fisiológico, iniciar fórmula AR é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em lactentes com regurgitações frequentes, mas com bom ganho de peso e sem sinais de alarme (como irritabilidade extrema, recusa alimentar, dificuldade respiratória), a condição é geralmente considerada refluxo gastroesofágico fisiológico. A conduta inicial é não farmacológica, incluindo o uso de fórmulas antirregurgitação (AR) que são mais espessas e reduzem os episódios de regurgitação.

Contexto Educacional

O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno comum em lactentes, caracterizado pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago. Na maioria dos casos, é fisiológico e benigno, manifestando-se como regurgitações frequentes sem impactar o crescimento ou o bem-estar da criança. A imaturidade do esfíncter esofágico inferior, o pequeno volume gástrico e a dieta líquida contribuem para sua alta prevalência, que atinge um pico por volta dos 4-6 meses de idade e geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses. O diagnóstico do RGE fisiológico é clínico, baseado na história de regurgitações frequentes, mas com bom ganho de peso, ausência de irritabilidade excessiva, recusa alimentar ou sintomas respiratórios. Não são necessários exames complementares para confirmar o diagnóstico. A conduta inicial é sempre não farmacológica, com orientações aos pais sobre medidas posturais (manter o bebê em posição vertical após as mamadas, elevar a cabeceira do berço) e, principalmente, a introdução de fórmulas infantis antirregurgitação (AR), que contêm espessantes (como amido de arroz ou milho) para reduzir a frequência e o volume das regurgitações. Medicações como inibidores da bomba de prótons (IBP) ou anti-histamínicos H2 não são indicadas para o RGE fisiológico, pois não reduzem as regurgitações e podem ter efeitos adversos. Elas são reservadas para casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), onde há evidência de esofagite, falha de crescimento, dor significativa ou complicações respiratórias. O acompanhamento clínico é essencial para monitorar o ganho de peso e a resolução dos sintomas, tranquilizando os pais sobre a natureza benigna da condição.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar refluxo gastroesofágico fisiológico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) em lactentes?

O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações frequentes sem comprometimento do estado geral, bom ganho de peso e ausência de sintomas de alarme. A DRGE, por outro lado, apresenta sintomas como irritabilidade excessiva, recusa alimentar, dor, esofagite, dificuldade respiratória ou comprometimento do ganho de peso.

Qual a primeira linha de tratamento para regurgitação fisiológica em lactentes?

A primeira linha de tratamento para regurgitação fisiológica é o manejo não farmacológico, que inclui medidas posturais (elevação da cabeceira do berço, evitar deitar logo após mamar) e, principalmente, a introdução de fórmulas infantis antirregurgitação (AR), que são mais espessas e reduzem a frequência dos episódios.

Quando exames como pHmetria ou endoscopia são indicados para refluxo em lactentes?

Exames como pHmetria esofágica de 24 horas ou endoscopia digestiva alta são reservados para casos de suspeita de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) com complicações, como esofagite grave, falha de crescimento, sintomas respiratórios refratários ou suspeita de outras patologias gastrointestinais.

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