Refluxo Gastroesofágico Fisiológico em Lactentes: Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente, 3 meses, sexo masculino, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal e desenvolvimento adequados para a idade. Na consulta pediátrica de rotina, a mãe está preocupada com as regurgitações frequentes que acontecem após as mamadas. Diante da principal hipótese diagnóstica, qual a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Fracionar as mamadas de 2 em 2 horas e introduzir ranitidina.
  2. B) Tranquilizar a mãe quanto ao diagnóstico de refluxo gastroesofágico fisiológico e orientar medidas posturais.
  3. C) Manter aleitamento materno em livre demanda e excluir leite de vaca e derivados da dieta materna.
  4. D) Solicitar ultrassom de abdome para diagnóstico de estenose hipertrófica de piloro.

Pérola Clínica

Lactente com regurgitação + ganho ponderal adequado = refluxo gastroesofágico fisiológico.

Resumo-Chave

Regurgitações frequentes em lactentes com bom ganho ponderal e desenvolvimento normal são características do refluxo gastroesofágico fisiológico. Nesses casos, a conduta é tranquilizar os pais e orientar medidas comportamentais e posturais, sem necessidade de investigação ou tratamento medicamentoso.

Contexto Educacional

O refluxo gastroesofágico (RGE) fisiológico é uma condição comum em lactentes, caracterizada pela passagem de conteúdo gástrico para o esôfago, resultando em regurgitações. É considerado fisiológico quando não há comprometimento do crescimento, desenvolvimento ou bem-estar do bebê. Atinge seu pico de incidência entre 4 e 6 meses de idade e geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses. A fisiopatologia do RGE fisiológico está relacionada à imaturidade do esfíncter esofágico inferior, à dieta líquida e à posição predominantemente horizontal do lactente. O diagnóstico é clínico, baseado na história de regurgitações frequentes em um bebê com bom ganho ponderal e sem outros sinais de alarme. Não são necessários exames complementares para confirmar o RGE fisiológico. A conduta para o RGE fisiológico é conservadora e consiste em tranquilizar os pais e orientar medidas não farmacológicas. Isso inclui manter o bebê em posição vertical após as mamadas, evitar superalimentação, e, em alguns casos, elevar a cabeceira do berço. A introdução de medicamentos ou a realização de exames invasivos é reservada para casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), onde há comprometimento do estado geral do lactente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diferenciar refluxo gastroesofágico fisiológico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) em lactentes?

O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações sem comprometimento do estado geral, bom ganho ponderal e ausência de sintomas como irritabilidade excessiva, recusa alimentar, choro intenso, anemia ou problemas respiratórios. A DRGE apresenta esses sintomas de alarme.

Quais medidas posturais e comportamentais são recomendadas para lactentes com refluxo fisiológico?

Recomenda-se manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas, evitar roupas apertadas na barriga, e, em alguns casos, elevar a cabeceira do berço. Mamadas menores e mais frequentes também podem ajudar.

Quando se deve suspeitar de estenose hipertrófica de piloro em um lactente com vômitos?

A estenose hipertrófica de piloro geralmente se manifesta entre 2 e 8 semanas de vida com vômitos em jato, não biliosos, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, levando a desidratação e perda de peso. A presença de uma 'oliva pilórica' palpável é um sinal clássico.

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