IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020
Lactente, 2 meses de idade, sexo masculino, é trazido a consulta ambulatorial de rotina. Os pais estão preocupados porque a criança tem episódios de regurgitação após quase todas as mamadas, com saída de grande quantidade de leite, algumas vezes chegou a sair leite pelo nariz. Refere que, apesar disso, a criança não fica incomodada, e aceita bem as mamadas, sem irritabilidade ou desconforto. Hábito intestinal de 3 a 4 evacuações por dia, as fezes são pastosas, sem sangue ou muco. Nega qualquer outro sintoma. O lactente está em seio materno exclusivo desde o nascimento, eliminou mecônico com 24 horas de vida, tem teste do pezinho normal. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, abdome globoso, flácido, sem distensão ou massas palpáveis. Sem outras alterações ao exame clínico. Peso atual de 5.050 g (na consulta realizada há 30 dias o peso era 4.000 g). A conduta é:
Regurgitação em lactente com bom ganho ponderal e sem irritabilidade → refluxo fisiológico, conduta conservadora.
Lactentes com regurgitação frequente, mas sem sinais de alarme como baixo ganho de peso, irritabilidade ou sintomas respiratórios, geralmente apresentam refluxo gastroesofágico fisiológico, que se resolve espontaneamente e requer apenas medidas conservadoras.
A regurgitação em lactentes é um fenômeno extremamente comum, afetando até 70% dos bebês nos primeiros meses de vida. Na maioria dos casos, trata-se de refluxo gastroesofágico fisiológico (RGEF), uma condição benigna caracterizada pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, sem causar sintomas significativos ou complicações. É importante diferenciar o RGEF da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas incômodos ou complicações. O RGEF ocorre devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior, que ainda não é totalmente competente para conter o conteúdo gástrico, e à dieta líquida do lactente. O diagnóstico é clínico, baseado na história de regurgitações frequentes, mas sem sinais de alarme como baixo ganho ponderal, irritabilidade, recusa alimentar, dor, hematêmese ou sintomas respiratórios. O bom estado geral e o ganho de peso adequado são cruciais para o diagnóstico de RGEF. A conduta para o RGEF é conservadora, focando em orientações aos pais. Isso inclui manter o aleitamento materno exclusivo, evitar superalimentação, fracionar as mamadas, realizar arrotos frequentes e manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas. Medidas farmacológicas ou dietéticas mais agressivas (como fórmulas espessadas ou restrição da dieta materna) não são indicadas para RGEF. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos até os 12-18 meses de idade.
Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso, perda de peso, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, choro inconsolável, hematêmese, melena, apneia, tosse crônica, sibilância e pneumonia de repetição. A presença desses sintomas sugere doença do refluxo e não refluxo fisiológico.
A conduta inicial é conservadora e inclui orientações sobre medidas posturais (elevação da cabeceira do berço, evitar deitar logo após mamar), fracionamento das mamadas, e manutenção do aleitamento materno exclusivo. Não há indicação para medicamentos ou fórmulas espessadas sem sinais de alarme.
O aleitamento materno exclusivo é fundamental porque o leite materno é de fácil digestão, o que pode reduzir a frequência e a intensidade das regurgitações. Além disso, oferece todos os nutrientes necessários e proteção imunológica, sendo a melhor opção para o lactente.
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