Regurgitação em Lactentes: Quando se Preocupar e Agir?

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025

Enunciado

Júlio nasceu de parto prematuro, pesando 1.950 g. Permaneceu em unidade de tratamento intermediário até atingir peso para alta e não teve intercorrências. A mãe teve dificuldade no início da amamentação, e como Júlio não estava ganhando peso de forma satisfatória, iniciou-se fórmula láctea infantil. Já está mamando bem ao seio e recebe complemento em todas as mamadas. Na consulta de rotina, a mãe demonstra ansiedade com a alimentação e ganho de peso, pois queixa-se de que a criança tem regurgitado após a maioria das mamadas. Fica bem após os episódios e não tem outras queixas. Ao completar um mês de vida, seu peso é 2.710 g. A conduta indicada, considerando o caso apresentado é:

Alternativas

  1. A) Prescrever antiemético tipo metoclopramida.
  2. B) Receitar sucralfato.
  3. C) Usar ranitidina via oral de 12/12h.
  4. D) Suspender o seio materno.
  5. E) Tranquilizar a mãe, sem prescrição de medicamentos.

Pérola Clínica

Lactente com regurgitação e bom ganho de peso, sem outros sintomas → Refluxo fisiológico = Tranquilizar a mãe, sem medicação.

Resumo-Chave

O caso descreve um lactente com regurgitação frequente, mas que está ganhando peso adequadamente e não apresenta outros sinais de alarme (irritabilidade, dor, recusa alimentar, sintomas respiratórios). Isso é característico do refluxo gastroesofágico fisiológico (regurgitação), que é benigno e não requer tratamento medicamentoso, apenas orientação e tranquilização dos pais.

Contexto Educacional

A regurgitação é uma queixa extremamente comum em lactentes, afetando até 70% dos bebês nos primeiros meses de vida. Na maioria dos casos, trata-se de um fenômeno fisiológico, conhecido como refluxo gastroesofágico fisiológico (RGEF), que se resolve espontaneamente até os 12-18 meses de idade. É caracterizado pela passagem de conteúdo gástrico para o esôfago e boca, sem sinais de desconforto ou comprometimento do estado geral da criança. O diagnóstico de RGEF é clínico, baseado na história e exame físico. É fundamental diferenciar o RGEF da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que é uma condição patológica com sintomas que afetam a saúde e o bem-estar do lactente, como baixo ganho de peso, esofagite, irritabilidade, recusa alimentar e complicações respiratórias. No caso apresentado, o bom ganho de peso e a ausência de outros sintomas de alarme indicam RGEF. A conduta para o RGEF é primariamente não farmacológica, focando na orientação e tranquilização dos pais. Medidas como fracionamento das mamadas, posicionamento elevado após a alimentação e, em alguns casos, espessamento do leite podem ser tentadas. O uso de medicamentos como antiácidos, procinéticos ou inibidores de bomba de prótons não é recomendado para RGEF e deve ser reservado para casos de DRGE comprovada, após avaliação médica criteriosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme no refluxo gastroesofágico em lactentes?

Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, choro intenso durante ou após as mamadas, sintomas respiratórios recorrentes (tosse, sibilância) e hematêmese. Nesses casos, a investigação e o tratamento são necessários.

Quando o tratamento medicamentoso é indicado para refluxo em bebês?

O tratamento medicamentoso é reservado para casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) comprovada, com sintomas graves que afetam o crescimento ou a qualidade de vida do bebê, e após falha das medidas não farmacológicas.

Como diferenciar refluxo fisiológico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)?

O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações sem comprometimento do estado geral, bom ganho de peso e ausência de outros sintomas. A DRGE, por outro lado, causa sintomas que afetam a saúde e o bem-estar do bebê, como baixo ganho de peso, esofagite, irritabilidade e complicações respiratórias.

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