UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Lactente de 2 meses de vida vem para avaliação de puericultura e mãe relata que a criança apresenta história de regurgitações frequentes iniciados na 2ª semana de vida. Relata que estas regurgitações são após as mamadas, com volume estimado entre 1 a 2 colheres de sopa cheia. A mãe observa que a criança não se sente incomodada com a regurgitação, nega irritabilidade ou desconforto após as mamadas. Refere aleitamento materno livre demanda e mãe relata “ter muito leite”. Refere que o lactente tem apresentado eventualmente engasgos durante a amamentação. Relata que acha que o bebe vem ganhando peso. Qual diagnóstico compatível com o quadro clínico e qual a melhor orientação para o caso apresentado?
Lactente com regurgitação + bom ganho ponderal + sem irritabilidade → Refluxo Fisiológico → orientar medidas posturais.
Regurgitações frequentes em lactentes com bom ganho ponderal, sem irritabilidade ou desconforto, são características do Refluxo Gastroesofágico Fisiológico. A conduta inicial é tranquilizar os pais e orientar medidas comportamentais, como manter o lactente em posição supina para dormir.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno comum em lactentes, sendo fisiológico na maioria dos casos. Caracteriza-se pela passagem involuntária do conteúdo gástrico para o esôfago, manifestando-se como regurgitações. Sua alta prevalência (até 70% dos lactentes) e a natureza benigna e autolimitada tornam o reconhecimento do RGE fisiológico crucial na puericultura, evitando intervenções desnecessárias e ansiedade parental. A diferenciação entre RGE fisiológico e Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é fundamental. O RGE fisiológico ocorre em lactentes com bom estado geral, bom ganho ponderal, sem irritabilidade significativa ou sinais de esofagite. As regurgitações são geralmente pós-prandiais, de pequeno volume e não causam desconforto. Engasgos ocasionais durante a amamentação, especialmente em mães com "muito leite", podem ser parte desse quadro. A DRGE, por outro lado, cursa com sintomas que afetam a qualidade de vida do bebê, como irritabilidade intensa, recusa alimentar, baixo ganho ponderal, choro excessivo e, em casos mais graves, esofagite ou complicações respiratórias. A conduta para o RGE fisiológico é conservadora, focada em tranquilizar os pais e orientar medidas comportamentais. Isso inclui manter o lactente em posição supina para dormir (posição segura para prevenir SIDS), evitar superalimentação, manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas e, se amamentado, garantir uma pega adequada. A introdução de medicamentos ou dietas restritivas não é indicada para o RGE fisiológico e deve ser reservada para casos de DRGE comprovada ou com sinais de alarme.
O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações sem comprometimento do estado geral, bom ganho ponderal e ausência de irritabilidade. A doença do refluxo apresenta sintomas como irritabilidade intensa, recusa alimentar, baixo ganho ponderal, esofagite ou complicações respiratórias.
A melhor orientação é tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna e autolimitada do quadro, e sugerir medidas comportamentais como manter o bebê em posição supina para dormir, evitar superalimentação e manter a posição vertical após as mamadas.
Deve-se investigar outras causas quando há sinais de alarme, como baixo ganho ponderal, vômitos biliosos ou em jato, irritabilidade excessiva, recusa alimentar persistente, sangue nas fezes, ou sintomas respiratórios recorrentes.
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