HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023
Lactente, 3 meses de idade, nascido a termo, em aleitamento materno exclusivo a livre demanda. Regurgitações frequentes pós mamadas e vômitos esporádicos. Pais ansiosos, criança dorme pouco a noite. A mãe passa praticamente o dia todo com a filha no colo, pois aguarda o momento da eructação, que coincide com a próxima mamada A criança está ganhando peso adequadamente. Está sendo medicada com domperidona e ranitidina sem melhora. Usa também nos momentos de choro, dimeticona e paracetamol. Qual deverá ser a conduta inicial para o caso?
Lactente com regurgitação + ganho de peso adequado + supermedicação → RGE fisiológico, tranquilizar pais e desprescrever.
O refluxo gastroesofágico (RGE) fisiológico é extremamente comum em lactentes, caracterizado por regurgitações e vômitos que não afetam o ganho de peso e o desenvolvimento. A ansiedade parental e a supermedicação são frequentes nesses casos. A conduta inicial deve focar em medidas não farmacológicas, como tranquilizar os pais, ajustar a técnica de amamentação (espassar mamadas, evitar superalimentação) e, crucialmente, suspender medicamentos desnecessários que não trazem benefício e podem ter efeitos adversos.
O refluxo gastroesofágico (RGE) fisiológico é uma condição extremamente comum em lactentes, caracterizada por regurgitações e vômitos frequentes após as mamadas. É considerado fisiológico quando o lactente apresenta bom ganho ponderal, desenvolvimento neuropsicomotor adequado e não há sinais de sofrimento ou complicações. A imaturidade do esfíncter esofágico inferior e a dieta líquida são fatores que contribuem para sua ocorrência, que geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses de idade. No caso apresentado, a criança está ganhando peso adequadamente, o que é um forte indicativo de RGE fisiológico, apesar da ansiedade dos pais e da supermedicação. A domperidona (procinético) e a ranitidina (anti-H2) são medicamentos frequentemente prescritos, mas sem eficácia comprovada para RGE fisiológico e com potenciais efeitos adversos. A dimeticona e o paracetamol para choro também sugerem uma tentativa de aliviar sintomas que podem ser normais ou relacionados à ansiedade. A conduta inicial e mais apropriada para o RGE fisiológico é a tranquilização dos pais, explicando a natureza benigna da condição. Medidas não farmacológicas, como espassar as mamadas para evitar superalimentação e manter o lactente em posição vertical após mamar, são mais eficazes. É fundamental suspender todos os medicamentos desnecessários, pois eles não trazem benefício e podem causar danos. A intervenção farmacológica só é justificada em casos de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), quando há comprometimento do estado geral, baixo ganho ponderal, esofagite ou outras complicações.
O RGE fisiológico é benigno, com regurgitações e vômitos que não afetam o ganho de peso, o desenvolvimento ou causam irritabilidade significativa. A doença do refluxo, por outro lado, causa sintomas que comprometem a saúde, como baixo ganho ponderal, esofagite, irritabilidade intensa ou complicações respiratórias.
As medidas incluem tranquilizar os pais, evitar superalimentação, espassar as mamadas, manter o lactente em posição vertical após as mamadas e, em alguns casos, espessar o leite materno ou fórmula sob orientação médica.
A supermedicação com procinéticos (domperidona) ou antiácidos (ranitidina, IBP) para RGE fisiológico é ineficaz, expõe o lactente a efeitos adversos (arritmias, infecções, deficiências nutricionais) e mascara a necessidade de tranquilização e orientação parental.
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