Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Lactente, sexo masculino, com 60 dias de vida, é trazido ao pronto-socorro, pois os pais estão muito preocupados com vários episódios de regurgitação ao dia e choro frequente, especialmente no fim da tarde, que ocorre em média de 3 a 4 dias por semana. Recebe exclusivamente o leite materno. Nasceu de parto normal, sem quaisquer intercorrências. Peso ao nascer: 3000 g. O peso atual é 4600 g e o desenvolvimento neuropsicomotor está adequado. Não se identificam anormalidades no exame físico. Assinale a afirmativa correta.
Lactente com regurgitações, choro, mas com bom ganho de peso e desenvolvimento normal → Refluxo gastroesofágico fisiológico. Conduta: orientações posturais e alimentares, tranquilizar pais.
Em lactentes, a regurgitação é um achado comum e geralmente benigno, caracterizando o refluxo gastroesofágico fisiológico, especialmente quando há bom ganho de peso, desenvolvimento neuropsicomotor adequado e ausência de sinais de alerta (como irritabilidade extrema, recusa alimentar, hematêmese). A conduta envolve orientações aos pais sobre medidas posturais e alimentares, como manter o bebê elevado após as mamadas e evitar trocas de fralda imediatas.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno comum em lactentes, caracterizado pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Na maioria dos casos, trata-se de um refluxo gastroesofágico fisiológico, uma condição benigna e autolimitada que ocorre devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior e à dieta líquida. É importante diferenciar o RGE fisiológico da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas que causam sofrimento ao bebê ou complicações como esofagite, baixo ganho de peso ou problemas respiratórios. A epidemiologia mostra que o RGE fisiológico atinge seu pico por volta dos 4-6 meses de idade e geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses. O diagnóstico diferencial é crucial e baseia-se principalmente na avaliação clínica. Um lactente com regurgitações frequentes, mas com bom ganho de peso, desenvolvimento neuropsicomotor adequado e sem sinais de alerta, deve ser considerado como tendo RGE fisiológico. A fisiopatologia envolve fatores como a imaturidade do sistema digestório, a posição horizontal do bebê e a dieta líquida. O tratamento do RGE fisiológico é conservador e foca em orientações aos pais. Medidas como manter o bebê em posição elevada após as mamadas, evitar compressão abdominal (trocas de fraldas imediatas, roupas apertadas) e fracionar as mamadas são eficazes. É fundamental tranquilizar os pais, explicando que a condição é benigna e que o bebê está se desenvolvendo normalmente. A intervenção farmacológica ou o uso de fórmulas antirrefluxo não são indicados para o RGE fisiológico e devem ser reservados para casos de DRGE comprovada, onde há comprometimento da saúde do lactente. Para residentes, a capacidade de realizar essa distinção e oferecer as orientações corretas é essencial para evitar medicalização desnecessária e garantir o bem-estar da família.
O refluxo fisiológico é caracterizado por regurgitações frequentes, mas sem comprometimento do ganho de peso, desenvolvimento neuropsicomotor normal e ausência de sinais de alerta como irritabilidade extrema, recusa alimentar, hematêmese, apneia ou sibilância. A DRGE, por outro lado, apresenta sintomas que causam sofrimento ou complicações.
As orientações incluem manter o lactente em posição elevada por 20-30 minutos após as mamadas, evitar trocas de fraldas ou brincadeiras vigorosas imediatamente após a alimentação, fracionar as mamadas em volumes menores e mais frequentes, e tranquilizar os pais sobre a natureza benigna e autolimitada da condição.
Deve-se suspeitar de DRGE na presença de sinais de alerta como baixo ganho de peso ou perda de peso, recusa alimentar persistente, irritabilidade excessiva durante ou após as mamadas, hematêmese, disfagia, apneia, sibilância recorrente ou esofagite. Nesses casos, uma investigação e tratamento mais específicos são necessários.
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