Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
S.G.L; 2 meses, sexo feminino. Paciente em aleitamento materno exclusivo em livre demanda, vai à consulta com Gastroenterologista Pediátrico devido a regurgitações frequentes, desde o primeiro mês de vida, após todas as mamadas e em grande volume, incluindo com saída de leite pelo nariz. Mãe nega perda de peso, febre, recusa alimentar ou irritabilidade durante as mamadas. Apresentando 3 evacuações ao dia, sem pus, muco ou sangue. História Pregressa: Nega alergias medicamentosas. Vacinação em dia. Teste do pezinho: normal. Nega internações prévias. Nega história de consanguinidade na família. Recém-nascido a termo, 39 semanas, parto normal; Peso ao nascimento: 3.200g; comprimento: 50 cm; Perímetro Cefálico: 33 cm; sem intercorrências; Apgar 8/9. Recebeu alta da maternidade em 24 horas. História Familiar: nada digno de nota. AO EXAME: Peso: 5.500 g; Comprimento: 58 cm; Perímetro Cefálico: 38 cm. Corado, hidratado, anictérico, acianótico, pulsos cheios e rítmicos, boa perfusão capilar, sem edemas. Aparelho Cardiovascular: Rítmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros. Frequência cardíaca: 128 bpm. Aparelho respiratório: Murmúrio vesícular fisiológico, sem esforço; Frequência respiratória: 40 irpm. Aparelho digestivo: Abdome normotenso, indolor, sem massas ou visceromegalias, ruído hidroaéreo positivo. Aparelho genitourinário: genitália tipicamente feminina. Sistema nervoso: Fontanela anterior normotensa e plana. Sobre o caso clínico, é CORRETO afirmar:
Lactente que ganha peso e está bem, apesar de regurgitar = Refluxo Fisiológico (Reassegurar).
O refluxo fisiológico ('golfadas') é comum pela imaturidade do esfíncter esofágico. Se o crescimento é normal e não há sinais de alarme, a conduta é expectante.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é a passagem involuntária do conteúdo gástrico para o esôfago, sendo fisiológico em grande parte dos lactentes até os 12 meses. A distinção entre RGE fisiológico e a Doença do Refluxo (DRGE) é essencialmente clínica. No caso clínico apresentado, o excelente ganho de peso (de 3.200g para 5.500g em 2 meses) e a ausência de sinais de irritabilidade confirmam o diagnóstico de lactente regurgitador saudável.
A regurgitação torna-se Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) quando surgem sinais de alerta como: baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva (choro inconsolável durante mamadas), recusa alimentar, anemia ou complicações respiratórias de repetição.
Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) são reservados exclusivamente para casos confirmados de DRGE com esofagite ou sintomas graves. Não devem ser usados no refluxo fisiológico, pois não reduzem regurgitações e aumentam o risco de infecções respiratórias e digestivas.
A orientação deve focar no caráter benigno e autolimitado do quadro, reforçando que a imaturidade do esfíncter esofágico é a causa. Deve-se manter o aleitamento materno exclusivo, ajustar técnicas de posicionamento após mamadas e monitorar o crescimento ponderal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo