FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Lactente, 4 meses de vida, trazido em consulta pela mãe, preocupada, pois há 1 mês o filho tem apresentando regurgitações frequentes após as mamadas, (cerca de 3- 4/dia), de aspecto leitoso, sem sinais de náusea ou desconforto. À anamnese e ao exame físico: criança nasceu a termo, está em aleitamento materno exclusivo, não tem outras comorbidades, apresenta desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Peso e estatura estão entre os percentis 15 e 50, desde o nascimento. Quanto ao caso em questão, a conduta deve ser:
Regurgitação em lactente < 6 meses, bom desenvolvimento e sem sinais de alarme → refluxo fisiológico benigno. Conduta: tranquilizar e medidas posturais.
O refluxo gastroesofágico fisiológico é comum em lactentes, geralmente benigno e autolimitado. A conduta inicial é tranquilizar os pais e orientar medidas posturais, evitando intervenções medicamentosas desnecessárias em casos sem sinais de alarme.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pela passagem involuntária do conteúdo gástrico para o esôfago. Sua alta prevalência em bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, deve-se à imaturidade do esfíncter esofágico inferior e à dieta líquida. É crucial diferenciar o RGE fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas ou complicações. O diagnóstico do RGE fisiológico é clínico, baseado na ausência de sinais de alarme como baixo ganho ponderal, irritabilidade intensa, hematêmese ou sintomas respiratórios. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema digestório. A suspeita deve ocorrer em lactentes com regurgitações frequentes, mas com bom desenvolvimento neuropsicomotor e ganho de peso adequado. O tratamento do RGE fisiológico é conservador, com foco em orientações aos pais e medidas posturais, como manter o bebê em posição vertical após as mamadas e evitar superalimentação. A medicalização com inibidores de bomba de prótons ou antagonistas H2 é reservada para casos de DRGE com complicações ou falha das medidas conservadoras, devido aos potenciais efeitos adversos e à falta de eficácia comprovada no RGE fisiológico.
Sinais de alarme incluem baixo ganho ponderal, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, hematêmese, apneia, sibilância recorrente e disfagia. A presença de qualquer um desses sinais sugere a necessidade de investigação adicional.
A conduta inicial deve ser conservadora, focando em tranquilizar os pais e orientar medidas posturais, como manter o bebê em posição vertical após as mamadas e elevar a cabeceira do berço.
IBPs não são indicados para refluxo fisiológico, pois não alteram a frequência das regurgitações e podem ter efeitos adversos, como aumento do risco de infecções respiratórias e gastrointestinais, além de mascarar condições mais graves.
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