Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Menino, 5 meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, no consultório de pediatria com a mãe, a qual se queixa de que o paciente está com refluxo. Refere que há aproximadamente 2 meses começou a apresentar, após as mamadas, vômito, sem esforços, em grande quantidade, ficando mais frequente na última semana. O conteúdo é sempre leitoso e após os episódios o paciente fica bem, apresentando novos episódios apenas após a próxima mamada. Mãe nega sintomas respiratórios, alterações nas fezes e na urina e nega irritabilidade ou alteração no sono. Ao exame clínico, a criança não apresentava alterações, mostrando-se ativa. O ganho de peso foi de 25g por dia e, na curva da OMS, paciente entre -1 e 0 no Z escore para peso, entre 0 e +1 no Z escore para altura e 0 e +1 no Z escore para IMC. Qual a conduta a ser tomada?
Refluxo em lactente com bom ganho ponderal e sem irritabilidade → conduta conservadora, manter AM.
O caso descreve um lactente com regurgitações frequentes, mas sem sinais de alarme como irritabilidade, choro excessivo, recusa alimentar, sintomas respiratórios ou alteração no ganho de peso. Isso caracteriza um refluxo gastroesofágico fisiológico, comum em bebês, que geralmente se resolve espontaneamente. A conduta é tranquilizar a mãe e manter o aleitamento materno.
O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pela passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, sem esforço. Sua prevalência é alta, atingindo até 50% dos bebês nos primeiros meses de vida, e geralmente se resolve espontaneamente até os 12-18 meses. É crucial diferenciar o RGE fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas ou complicações decorrentes do refluxo. A avaliação clínica é fundamental para distinguir o RGE fisiológico da DRGE. No RGE fisiológico, o lactente apresenta bom ganho ponderal, desenvolvimento neuropsicomotor adequado, e ausência de sinais de alarme como irritabilidade, choro excessivo, recusa alimentar, hematêmese, melena, sintomas respiratórios recorrentes ou apneia. O exame físico é normal. A curva de crescimento da OMS é uma ferramenta essencial para monitorar o desenvolvimento ponderoestatural. A conduta para o RGE fisiológico é conservadora e baseada em orientações aos pais. Inclui tranquilização, manutenção do aleitamento materno exclusivo (se aplicável), e medidas posturais como manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas. Não há indicação para uso de fórmulas especiais, espessantes ou medicamentos (procinéticos, antiácidos) nesses casos, pois não alteram o curso natural da condição e podem ter efeitos adversos. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos.
Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso, irritabilidade excessiva, choro inconsolável, recusa alimentar, sintomas respiratórios recorrentes (tosse, sibilância) e sangue nas fezes ou vômitos.
A conduta inicial é tranquilizar os pais, orientar sobre a natureza benigna do quadro, manter o aleitamento materno e observar a evolução, sem necessidade de intervenções medicamentosas ou dietéticas.
O aleitamento materno é o alimento ideal para o bebê, e sua suspensão não é indicada para refluxo fisiológico. O leite materno é de fácil digestão e oferece inúmeros benefícios que superam o incômodo das regurgitações benignas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo