Refluxo Fisiológico em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022

Enunciado

CAS, sexo masculino, 3 meses, recebendo leite materno exclusivo, história de regurgitações com vários episódios ao dia, nega irritabilidade, apresenta boa sucção e bom ganho de peso. Devido a queixa das regurgitações, o Pediatra solicitou um estudo contrastado de esôfago, estômago e duodeno que revelou um refluxo até o terço superior do esôfago. Assinale a alternativa que mais se ajusta ao caso:

Alternativas

  1. A) Com este resultado do exame de imagem, podemos caracterizar a criança como portadora de doença do refluxo gastroesofágico. Sugere-se iniciar medicação. 
  2. B) Para confirmar a doença do refluxo é necessário uma pHmetria esofágica. Na impossibilidade deste exame está indicado uma endoscopia digestiva alta para avaliação da mucosa e afastar outras enfermidades como a esofagite eosinofílica. 
  3. C) O principal diagnóstico diferencial é a alergia a proteína do leite de vaca e, neste caso, o próximo passo é manter o aleitamento materno exclusivo, porém orientar à mãe dieta isenta de leite e derivados por 2 a 4 semanas como teste terapêutico. 
  4. D) O raio x contrastado de esôfago, estômago e duodeno tem como principal finalidade afastar alteração anatômica. Apesar das regurgitações, a criança não apresenta sinais de alarme. Muito provavelmente se trata de um refluxo fisiológico, que é benigno e autolimitado. Explicar, tranquilizar a mãe e acompanhar a criança. 

Pérola Clínica

Regurgitação em lactente com bom ganho de peso e sem sinais de alarme → Refluxo fisiológico benigno, conduta expectante.

Resumo-Chave

O refluxo gastroesofágico fisiológico é comum em lactentes, caracterizado por regurgitações sem comprometimento do estado geral, como bom ganho de peso e ausência de irritabilidade. Exames complementares como o estudo contrastado são úteis para afastar malformações anatômicas, mas não confirmam doença do refluxo na ausência de sinais de alarme.

Contexto Educacional

O refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum em lactentes, caracterizado pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. A prevalência de regurgitações é alta, atingindo um pico por volta dos 4 meses de idade e diminuindo espontaneamente na maioria das crianças até os 12-18 meses. É crucial diferenciar o RGE fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que implica em sintomas ou complicações decorrentes do refluxo. A fisiopatologia do RGE em lactentes está relacionada à imaturidade do esfíncter esofágico inferior, à dieta líquida e à posição supina frequente. O diagnóstico de RGE fisiológico é clínico, baseado na presença de regurgitações sem sinais de alarme, como baixo ganho de peso, irritabilidade, recusa alimentar, hematêmese ou sintomas respiratórios. Exames complementares, como o estudo contrastado de esôfago, estômago e duodeno, são indicados principalmente para afastar anomalias anatômicas e não para confirmar o RGE fisiológico ou DRGE. A pHmetria esofágica e a endoscopia digestiva alta são reservadas para casos com sinais de alarme ou falha terapêutica. O tratamento do RGE fisiológico é conservador e consiste em orientações aos pais, como fracionamento das refeições, espessamento do leite (se necessário e sob orientação), e posicionamento pós-prandial. A medicação anti-refluxo não é recomendada para RGE fisiológico. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos. É fundamental tranquilizar os pais e monitorar o desenvolvimento da criança, buscando sinais de alarme que justifiquem uma investigação mais aprofundada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que indicam doença do refluxo gastroesofágico em lactentes?

Sinais de alarme incluem baixo ganho de peso, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, choro inconsolável, hematêmese, melena, apneia, sibilância ou pneumonia de repetição, que sugerem a necessidade de investigação e tratamento.

Qual a principal finalidade do estudo contrastado de esôfago, estômago e duodeno em casos de regurgitação infantil?

O estudo contrastado é primariamente utilizado para descartar anomalias anatômicas do trato gastrointestinal, como estenose pilórica, má rotação intestinal ou hérnia hiatal, que podem mimetizar sintomas de refluxo.

Como diferenciar o refluxo gastroesofágico fisiológico da doença do refluxo gastroesofágico em bebês?

A principal diferença reside na presença de sintomas que afetam a saúde e o bem-estar do bebê. O refluxo fisiológico cursa com regurgitações sem irritabilidade, bom ganho de peso e desenvolvimento normal, enquanto a doença do refluxo causa complicações ou sintomas incômodos.

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