Neuroanatomia do Reflexo Pupilar Fotomotor

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

Sobre o reflexo pupilar fotomotor, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O centro cilioespinhal de Budge participa da terceira sinapse da via eferente parassimpática.
  2. B) O ramo inferior do nervo oculomotor carrega fibras parassimpáticas pupiloconstritoras.
  3. C) No gânglio ciliar ocorre a sinapse dos dois neurônios da via aferente.
  4. D) A via eferente se cruza no quiasma óptico e núcleo pré-tectal.

Pérola Clínica

Via eferente pupilar → Fibras parassimpáticas viajam pelo ramo inferior do III par craniano.

Resumo-Chave

O reflexo fotomotor depende de uma via eferente parassimpática que utiliza o nervo oculomotor (III par) para levar o estímulo de contração ao músculo esfíncter da pupila.

Contexto Educacional

O reflexo pupilar fotomotor é um arco reflexo essencial para regular a entrada de luz no olho. A via aferente inicia-se nas células ganglionares da retina (incluindo as células fotossensíveis contendo melanopsina), segue pelo nervo óptico, quiasma (com decussação parcial) e trato óptico, saindo antes do corpo geniculado lateral para atingir o núcleo pré-tectal no mesencéfalo. A via eferente é parassimpática. Os núcleos pré-tectais projetam-se bilateralmente para os núcleos de Edinger-Westphal. As fibras eferentes pré-ganglionares viajam na periferia do III par craniano, sendo particularmente suscetíveis a compressões extrínsecas (como aneurismas da artéria comunicante posterior). Ao entrar na órbita, essas fibras acompanham o ramo inferior do nervo oculomotor até o gânglio ciliar. A compreensão dessa anatomia é vital para diferenciar paralisias do III par de causas compressivas versus isquêmicas.

Perguntas Frequentes

Qual o trajeto da via eferente do reflexo fotomotor?

A via eferente (parassimpática) começa no Núcleo de Edinger-Westphal (mesencéfalo). As fibras pré-ganglionares seguem junto ao nervo oculomotor (III par). No interior da órbita, o III par se divide, e as fibras pupilares seguem pelo ramo inferior (que também inerva o reto inferior, reto medial e oblíquo inferior). Elas fazem sinapse no gânglio ciliar, de onde partem os nervos ciliares curtos (fibras pós-ganglionares) para inervar o músculo esfíncter da pupila e o músculo ciliar.

Onde ocorre o cruzamento das fibras na via pupilar?

O cruzamento ocorre em dois pontos principais para garantir a resposta consensual (contração da pupila oposta à luz). O primeiro cruzamento é no quiasma óptico, onde as fibras da retina nasal decussam. O segundo cruzamento ocorre no mesencéfalo, onde os neurônios do núcleo pré-tectal enviam fibras para os núcleos de Edinger-Westphal de ambos os lados (através da comissura posterior). Isso explica por que a luz em um olho gera miose em ambos.

O que é o centro cilioespinhal de Budge?

O centro cilioespinhal de Budge está localizado na medula espinhal entre C8 e T2. Ele faz parte da via simpática (dilatação pupilar), e não da via parassimpática (constrição). Ele contém os corpos celulares dos neurônios pré-ganglionares simpáticos que se destinam ao gânglio cervical superior. Lesões nesta região ou em seu trajeto podem levar à Síndrome de Horner (miose, ptose e anidrose).

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