USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Secundisgesta, 29 anos, com 40 semanas de gestação, comparece a maternidade devido a redução da movimentação fetal nas últimas horas. Sem outras queixas. Nega doenças e não houve intercorrências em seu pré-natal. Exame físico geral normal. Ausência de atividade uterina, altura uterina=35 cm e frequência cardíaca fetal normal, com percepção de movimento fetal ao exame. Uma cardiotografia foi realizada (figura). Qual alternativa apresenta a melhor conduta? Figura: Cardiotocografia realizada devido idade gestacional e queixa materna (mf=movimentos fetais)
Redução movimentação fetal + 40 semanas + FCF normal + CTG não conclusiva → Perfil Biofísico Fetal.
A redução da movimentação fetal em uma gestação a termo é um sinal de alerta que exige investigação aprofundada do bem-estar fetal. Embora a FCF esteja normal e haja percepção de movimento ao exame, a cardiotocografia (CTG) pode não ser suficiente para excluir comprometimento fetal, tornando o perfil biofísico fetal (PBF) a próxima etapa para uma avaliação mais completa.
A redução da movimentação fetal é uma queixa comum no terceiro trimestre de gestação e sempre deve ser investigada, pois pode ser um sinal de comprometimento do bem-estar fetal. Em gestações a termo, como no caso de 40 semanas, a avaliação da vitalidade fetal torna-se ainda mais crítica. Embora a frequência cardíaca fetal (FCF) possa estar normal e haja percepção de movimento ao exame, a queixa materna por si só justifica uma investigação mais aprofundada. A cardiotocografia (CTG) é o exame inicial para avaliar a reatividade fetal. No entanto, se a CTG for não reativa, não tranquilizadora ou se a queixa materna persistir apesar de uma CTG aparentemente normal, o próximo passo é realizar um perfil biofísico fetal (PBF). O PBF é um método ultrassonográfico que avalia cinco parâmetros: tônus fetal, movimentos fetais, movimentos respiratórios fetais, volume de líquido amniótico e a reatividade da FCF (obtida pela CTG). Cada parâmetro recebe uma pontuação de 0 ou 2, totalizando um escore de 0 a 10. Um PBF com escore de 8 a 10 é geralmente tranquilizador, enquanto escores mais baixos indicam a necessidade de monitoramento mais intensivo ou intervenção. A realização do PBF permite uma avaliação mais completa e precisa do estado fetal, auxiliando na decisão sobre a conduta, que pode variar de monitoramento contínuo a indução do parto ou cesariana, dependendo do escore e do contexto clínico.
O perfil biofísico fetal avalia cinco parâmetros: cardiotocografia (reatividade fetal), movimentos fetais, tônus fetal, movimentos respiratórios fetais e volume de líquido amniótico.
O PBF oferece uma avaliação mais abrangente da vitalidade fetal, combinando parâmetros agudos (movimentos, tônus, respiração) e crônicos (líquido amniótico), fornecendo um escore que reflete melhor o bem-estar fetal.
A percepção materna é um sinal subjetivo, mas importante, de possível comprometimento fetal. Sempre que relatada, deve ser investigada com exames objetivos de vitalidade fetal, como a cardiotocografia e o perfil biofísico fetal.
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