Cálculo da Redução Absoluta do Risco em Vacinas

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Um ensaio clínico randomizado, duplo cego e controlado por placebo, para avaliar a eficácia de uma vacina para uma doença viral emergente, encontrou uma incidência de 0,5% entre os vacinados e 4% entre os não vacinados. Com estes dados, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) não é possível estimar a eficácia, pois não se dispõe dos dados completos da tabela de contingência.
  2. B) como é necessário vacinar 29 pessoas para evitar 1 caso de doença, a vacina não deve ser recomendada.
  3. C) como a eficácia da vacina foi de apenas 87,5%, ela não deve ser recomendada.
  4. D) a redução absoluta do risco comparando-se o grupo de vacinados e não vacinados foi de 3,5%.

Pérola Clínica

Redução Absoluta do Risco (RAR) = Incidência em Não Vacinados - Incidência em Vacinados.

Resumo-Chave

A Redução Absoluta do Risco (RAR) é a diferença direta na incidência da doença entre o grupo não exposto (não vacinado) e o grupo exposto (vacinado). É uma medida importante da magnitude do benefício de uma intervenção em termos de saúde pública.

Contexto Educacional

Em epidemiologia e bioestatística, a avaliação da eficácia de intervenções como vacinas em ensaios clínicos randomizados é fundamental. Duas medidas principais são a Redução Absoluta do Risco (RAR) e a Redução Relativa do Risco (RRR), também conhecida como eficácia da vacina. A RAR representa a diferença direta na incidência da doença entre o grupo não vacinado e o grupo vacinado, fornecendo uma medida da magnitude do benefício em termos de saúde pública. A incidência é a proporção de novos casos de uma doença em uma população em risco durante um período de tempo específico. No contexto de uma vacina, a incidência em não vacinados (INV) reflete o risco basal da doença, enquanto a incidência em vacinados (IV) reflete o risco após a intervenção. A RAR é calculada como INV - IV. Já a eficácia da vacina (RRR) é calculada como (INV - IV) / INV, indicando a proporção de risco que foi reduzida pela vacina. Ambas as medidas são importantes, mas a RAR é particularmente útil para entender o impacto real de uma intervenção na população, pois reflete o número de eventos que podem ser evitados. O Número Necessário para Tratar (NNT), que é o inverso da RAR, também é uma medida prática que indica quantas pessoas precisam ser tratadas (vacinadas) para evitar um desfecho adverso. A interpretação conjunta dessas medidas permite uma compreensão completa do benefício e da relevância clínica e de saúde pública de uma vacina.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Redução Absoluta do Risco e Redução Relativa do Risco?

A Redução Absoluta do Risco (RAR) é a diferença direta na incidência entre os grupos exposto e não exposto (INV - IV). A Redução Relativa do Risco (RRR), ou eficácia da vacina, é a proporção dessa redução em relação à incidência no grupo não exposto [(INV - IV) / INV], indicando a proporção de casos evitados.

Como a eficácia da vacina é calculada a partir dos dados de incidência?

A eficácia da vacina é calculada como (Incidência no grupo não vacinado - Incidência no grupo vacinado) / Incidência no grupo não vacinado, multiplicada por 100 para expressar em porcentagem. Neste caso, (4% - 0,5%) / 4% = 3,5% / 4% = 0,875 ou 87,5%.

O que o Número Necessário para Tratar (NNT) representa neste contexto?

O Número Necessário para Tratar (NNT) é o inverso da Redução Absoluta do Risco (1/RAR). Ele representa o número de pessoas que precisam ser vacinadas para evitar um caso da doença. Neste exemplo, 1 / 0,035 ≈ 29, ou seja, é necessário vacinar 29 pessoas para evitar 1 caso.

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