INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
O gestor de um município com 70 mil habitantes, de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), recebe a demanda do Conselho Municipal de Saúde relacionada a um grande número de pacientes com acidente vascular cerebral atendidos na Unidade de Urgência. Tem sido relatada demora no acesso ao atendimento especializado. A porta de entrada do sistema se dá por cinco Unidades Básicas de Saúde tradicionais e duas Unidades de Saúde da Família, com duas equipes em cada uma. Faltam vagas para internação no hospital regional, que fica em outro município. O local não possui Núcleo de Apoio à Saúde da Família e tem sido identificada dificuldade em relação ao acesso aos serviços de Fisioterapia e Fonoaudiologia após a alta dos pacientes. Considerando a necessidade de organização de uma rede integrada de serviços, quais seriam as estratégias necessárias para a redução dos casos?
Redução de morbimortalidade → Fortalecer APS + NASF + Integração da Rede + Sistemas de Informação.
A organização de redes integradas exige o fortalecimento da APS como ordenadora do cuidado, apoiada por equipes multiprofissionais (NASF) e sistemas de dados eficientes.
A gestão em saúde no SUS preconiza a substituição do modelo fragmentado por Redes de Atenção à Saúde (RAS). Em municípios com baixo IDH e alta demanda por condições crônicas agudizadas (como o AVC), a solução não reside apenas na ampliação da urgência, mas na estruturação da APS como centro ordenador. Isso envolve a expansão da ESF, a implementação de apoio multiprofissional e a garantia de que os pontos de atenção (primário, secundário, terciário) se comuniquem de forma fluida.
O Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), agora integrado em novas nomenclaturas de equipes multiprofissionais, atua no apoio matricial às equipes de Saúde da Família. Ele não é porta de entrada, mas oferece suporte técnico-pedagógico e clínico em áreas como Fisioterapia, Fonoaudiologia e Psicologia, permitindo que casos complexos sejam manejados na atenção básica, aumentando a resolutividade e evitando encaminhamentos desnecessários ao nível secundário.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) atua na prevenção primária e secundária do AVC através do controle rigoroso de fatores de risco, como Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus. Além disso, a ESF promove mudanças no estilo de vida e garante o acompanhamento longitudinal, essencial para evitar recidivas e gerenciar a reabilitação pós-alta hospitalar, integrando o paciente novamente à comunidade.
Sistemas de informação integrados permitem o monitoramento do fluxo do paciente pela rede, facilitando a regulação de vagas e o compartilhamento de prontuários entre a urgência, o hospital e a unidade básica. Sem dados confiáveis, o gestor não consegue identificar gargalos, como a demora no acesso especializado ou a falta de reabilitação, impedindo o planejamento estratégico baseado em evidências epidemiológicas locais.
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