Organização da Rede de Atenção no AVC: Estratégias do SUS

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

O gestor de um município com 70 mil habitantes, de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), recebe a demanda do Conselho Municipal de Saúde relacionada a um grande número de pacientes com acidente vascular cerebral atendidos na Unidade de Urgência. Tem sido relatada demora no acesso ao atendimento especializado. A porta de entrada do sistema se dá por cinco Unidades Básicas de Saúde tradicionais e duas Unidades de Saúde da Família, com duas equipes em cada uma. Faltam vagas para internação no hospital regional, que fica em outro município. O local não possui Núcleo de Apoio à Saúde da Família e tem sido identificada dificuldade em relação ao acesso aos serviços de fisioterapia e fonoaudiologia, após a alta dos pacientes. Considerando a necessidade de organização de uma rede integrada de serviços, quais seriam as estratégias necessárias para a redução dos casos?

Alternativas

  1. A) Reorganizar a Urgência e Emergência, transformando algumas Unidades Básicas de Saúde tradicionais em Pronto Atendimento 24 horas, criar protocolos de atendimento para urgência, além de contratar mais profissionais, facilitando o atendimento no próprio município.
  2. B) Organizar o sistema de informação em saúde para integrar os serviços, fortalecer e ampliar o número de Equipes da Estratégia de Saúde da Família, criar Núcleos de Apoio à Saúde da Família, com equipes multi e interprofissionais e fortalecer a integração entre os diversos pontos da rede de atenção.
  3. C) Ofertar porta de entrada do sistema com acesso direto no nível secundário ambulatorial, no qual deverá funcionar um Núcleo de Apoio à Saúde da Família com equipes multi e interprofissionais, para evitar o atraso nas referências da atenção básica, facilitando o acesso ao nível hospitalar da rede de atenção.
  4. D) Organizar o sistema de informação em saúde, priorizar a ampliação do número de ambulatórios de especialidades e de serviços de urgência e emergência, contratando mais especialistas e estabelecendo protocolos de encaminhamento para o hospital, além de aumentar o número de ambulâncias e a cota de exames.

Pérola Clínica

Fortalecimento da APS + NASF + Integração da Rede = Melhor manejo e prevenção do AVC.

Resumo-Chave

A redução de casos e a melhoria do prognóstico do AVC dependem de uma rede integrada que priorize a Atenção Primária e o suporte multiprofissional (NASF).

Contexto Educacional

A gestão em saúde pública no Brasil, sob a égide do SUS, preconiza que a Atenção Primária à Saúde (APS) seja a ordenadora da rede e a porta de entrada preferencial. Em cenários de baixo IDH e escassez de recursos, a otimização da rede integrada é vital. O AVC é uma condição tempo-dependente na fase aguda, mas que exige um cuidado crônico complexo. A estratégia de ampliar a ESF e implementar o NASF visa descentralizar o cuidado especializado, levando a reabilitação para perto da residência do paciente e fortalecendo a prevenção secundária, o que comprovadamente reduz a sobrecarga nos hospitais terciários e melhora a qualidade de vida dos sobreviventes.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do NASF no cuidado pós-AVC?

O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) fornece suporte matricial às equipes de Saúde da Família. No caso do AVC, profissionais como fisioterapeutas e fonoaudiólogos do NASF atuam na reabilitação precoce dentro do território, orientando cuidadores e realizando atendimentos compartilhados, o que reduz a dependência de centros especializados distantes.

Como a ESF atua na redução de casos de AVC?

A Estratégia Saúde da Família (ESF) atua no controle dos principais fatores de risco modificáveis, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e tabagismo. Através do acompanhamento longitudinal e da busca ativa, a ESF consegue prevenir o evento primário e evitar recorrências através da adesão terapêutica.

O que caracteriza uma rede integrada de serviços de saúde?

Uma rede integrada (RAS) caracteriza-se pela conexão entre diferentes pontos de atenção (primária, secundária e terciária), apoiada por sistemas de informação eficientes, regulação de vagas e protocolos clínicos compartilhados, garantindo que o paciente transite pelo sistema conforme sua necessidade, sem interrupção do cuidado.

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