IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2016
Uma paciente de 40 anos, testemunha de Jeová, procura o ambulatório com dores constantes no baixo ventre em decorrência de útero miomatoso. Ao exame físico, observa-se massa palpável e os exames complementares estão normais, exceto por discreta anemia de 10,5 g/dl e hematócrito de 38%. Considerando a questão legal diante dessa paciente, qual a melhor opção a ser tomada diante da possibilidade de transfusão sanguínea?
Testemunha de Jeová adulta e capaz → respeitar recusa à transfusão, buscar alternativas e operar sem sangue.
Em pacientes Testemunhas de Jeová adultos e capazes, a recusa à transfusão sanguínea deve ser respeitada, mesmo em situações de risco de vida. A equipe médica deve buscar alternativas para o manejo da anemia e da cirurgia, como técnicas de conservação de sangue e otimização pré-operatória, documentando o consentimento informado.
A relação médico-paciente é pautada por princípios éticos e legais, sendo a autonomia do paciente um dos pilares. No caso de pacientes Testemunhas de Jeová que recusam transfusões de sangue e seus componentes primários, essa autonomia assume uma importância crítica. Para residentes, é fundamental compreender que a vontade do paciente adulto e capaz deve ser respeitada, mesmo quando essa decisão pode implicar em risco de vida. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multidisciplinar e um planejamento cuidadoso. Isso inclui a otimização pré-operatória da anemia, o uso de técnicas cirúrgicas que minimizem a perda sanguínea e a aplicação de alternativas farmacológicas à transfusão. A comunicação clara e o consentimento informado são essenciais, garantindo que o paciente compreenda os riscos e benefícios de sua decisão. A documentação completa de todo o processo é crucial para a segurança jurídica da equipe e do hospital, refletindo o compromisso com a ética e o respeito à dignidade humana.
As alternativas incluem otimização pré-operatória da hemoglobina (com ferro, eritropoetina), técnicas de conservação de sangue (hemodiluição normovolêmica aguda, recuperação intraoperatória de sangue), uso de agentes hemostáticos e cirurgia minimamente invasiva para reduzir a perda sanguínea.
Sim, a recusa de transfusão por um paciente Testemunha de Jeová adulto e capaz, que esteja consciente e plenamente informado dos riscos, deve ser respeitada, conforme o princípio da autonomia do paciente. Em casos de menores de idade, a situação é mais complexa e geralmente envolve decisão judicial para proteger o melhor interesse da criança.
A equipe deve documentar detalhadamente a recusa do paciente, o consentimento informado sobre os riscos e as alternativas discutidas. É importante envolver o comitê de ética hospitalar e, se necessário, buscar aconselhamento jurídico para garantir que os direitos do paciente sejam respeitados e a conduta médica esteja em conformidade com a lei.
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