Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Considere a seguinte circunstância: paciente internado, com diagnóstico de paralisia de membros inferiores e com alta hospitalar há alguns dias, que se recusa a sair do hospital sob a alegação de dificuldades sociais e econômicas. Assinale a alternativa que contempla solução amparada pelo Código de Ética Médica.
Recusa de alta por questões sociais → equipe médica avalia, administração busca tutela judicial para desocupação de leito.
A recusa de alta por motivos sociais e econômicos exige uma abordagem multidisciplinar. O médico deve avaliar a condição clínica, mas a retirada coercitiva não é uma prerrogativa da equipe ou administração, necessitando de amparo legal via tutela jurisdicional.
A recusa de alta hospitalar por questões sociais e econômicas é um desafio complexo que envolve princípios éticos, legais e humanitários. O Código de Ética Médica orienta que o médico deve zelar pela saúde do paciente, mas também reconhece os limites da atuação médica e a necessidade de amparo legal em situações de impasse. A manutenção indevida de um paciente internado pode prejudicar outros que necessitam do leito, gerando um dilema ético e de gestão. Nesses casos, a equipe médica deve realizar uma avaliação clínica rigorosa para confirmar a aptidão para alta, documentando a condição do paciente e os motivos da recusa. É fundamental envolver o serviço social para buscar alternativas e suporte. A decisão de alta é de competência e responsabilidade médica, mas a remoção coercitiva do paciente não é permitida sem um processo legal adequado, respeitando a autonomia e dignidade do indivíduo. Quando a recusa persiste e não há justificativa clínica para a internação, compete à administração hospitalar, com base em relatório médico detalhado, requerer a tutela jurisdicional. Essa medida visa garantir a desocupação da vaga, justificando-se na necessidade de outros pacientes que dela necessitam e que seriam prejudicados pela conduta do paciente. É um equilíbrio delicado entre o direito individual do paciente e o direito coletivo à saúde.
O médico deve avaliar a condição clínica do paciente, garantir que não há necessidade de internação por motivos de saúde e, em conjunto com a equipe multidisciplinar, buscar soluções sociais e de suporte para o paciente.
Não, a administração e a equipe médica não podem realizar a retirada coercitiva. É necessário um relatório médico que justifique a alta e, se a recusa persistir, a administração deve buscar amparo legal via tutela jurisdicional para a desocupação do leito.
A tutela jurisdicional é necessária quando o paciente, clinicamente apto para alta, se recusa a deixar o hospital por motivos não médicos, e todas as tentativas de mediação e suporte social falharam, visando a desocupação do leito para outros pacientes que dele necessitam.
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