CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Pré-escolar de três anos, sexo feminino, estrófica, é levada ao Ambulatório Araújo Lima por sua mãe, com queixa que o referido não come nada, só aceita salgadinhos e guloseimas. Para comer é “chantageada” e na ocasião apresenta vômito logo em seguida da ingestão do alimento. É ofertado frutas, verduras e legumes as quais aceita mais não engole, cospe tudo (sic). O alimento que melhor aceita é leite com chocolate, que é oferecido várias vezes ao dia devido a aceitação. Os sintomas estão relacionados a qual quadro clínico:
Recusa alimentar + vômito seletivo + aceitação de leite/chocolate → investigar causas orgânicas, funcionais e comportamentais.
O quadro de recusa alimentar seletiva, vômitos após ingestão de certos alimentos e aceitação exclusiva de leite com chocolate é complexo. Embora o gabarito aponte para sensibilidade láctea, a apresentação clínica é mais sugestiva de um transtorno alimentar ou seletividade severa, exigindo investigação aprofundada para excluir causas orgânicas e comportamentais.
A recusa alimentar em pré-escolares é uma queixa comum na pediatria, mas pode ser um sintoma de condições subjacentes mais sérias, como transtornos alimentares ou sensibilidades alimentares. A seletividade alimentar e a neofobia são frequentes nessa faixa etária, mas quando acompanhadas de vômitos e dependência de poucos alimentos, exigem investigação aprofundada. O caso apresentado, com recusa a frutas, verduras e legumes, vômitos após ingestão de alimentos e aceitação exclusiva de leite com chocolate, aponta para um quadro complexo. Embora o gabarito sugira sensibilidade láctea, a apresentação clínica não é típica para esta condição, que geralmente se manifesta com sintomas gastrointestinais, cutâneos ou respiratórios em resposta ao consumo de laticínios. A aceitação de leite com chocolate e a recusa e vômito a outros alimentos são mais sugestivas de um transtorno alimentar restritivo ou evitativo (ARFID) ou de uma seletividade alimentar severa com componente comportamental ou sensorial. No entanto, é crucial considerar todas as possibilidades, incluindo causas orgânicas como esofagite eosinofílica ou refluxo gastroesofágico, que podem causar aversão alimentar e vômitos. O manejo de crianças com recusa alimentar severa requer uma abordagem multidisciplinar. É fundamental realizar uma anamnese detalhada e exame físico completo, além de exames complementares se houver suspeita de doença orgânica. O tratamento pode envolver terapia nutricional, intervenções comportamentais e, em alguns casos, suporte psicológico para a criança e a família. Residentes devem estar aptos a diferenciar as diversas causas de recusa alimentar e a iniciar a investigação e o manejo adequados.
Sinais de alerta incluem recusa persistente a uma ampla gama de alimentos, vômitos frequentes após as refeições, baixo ganho de peso ou perda de peso, irritabilidade durante as refeições e dependência de poucos alimentos específicos, como o leite com chocolate no caso descrito.
A sensibilidade láctea (alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância à lactose) geralmente apresenta sintomas gastrointestinais (diarreia, cólica, distensão) ou cutâneos/respiratórios. A recusa alimentar seletiva e vômitos a outros alimentos, com aceitação de leite, não são típicos de sensibilidade láctea primária, sugerindo outras causas como transtornos alimentares ou neofobia.
A abordagem inicial deve incluir uma avaliação médica completa para excluir causas orgânicas, seguida por uma avaliação nutricional e comportamental. Pode ser necessário o acompanhamento com equipe multidisciplinar, incluindo pediatra, nutricionista, psicólogo e, em alguns casos, terapeuta ocupacional.
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