FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020
Lactente de um ano e três meses de idade é trazida à UBS, pois mãe relata que o bebê não come. A curva de crescimento encontra-se no score z-0. A melhor conduta é:
Lactente com "não come" + curva de crescimento normal → Orientação familiar sobre alimentação.
A queixa de "não come" é frequente em lactentes e pré-escolares. Se a curva de crescimento está normal (score z-0), a conduta inicial deve ser a orientação dos pais sobre o comportamento alimentar esperado para a idade e estratégias para lidar com a recusa alimentar, sem necessidade de exames ou suplementos.
A recusa alimentar em crianças é uma queixa comum nos consultórios de pediatria e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), gerando grande preocupação nos pais. No entanto, é fundamental que o profissional de saúde avalie o contexto completo da criança, especialmente sua curva de crescimento e desenvolvimento, antes de propor qualquer intervenção. Em lactentes e pré-escolares, é fisiológico que o ritmo de crescimento diminua após o primeiro ano de vida, o que naturalmente leva a uma redução do apetite em comparação com o período de rápido crescimento do primeiro ano. Se a criança apresenta uma curva de crescimento dentro da normalidade (score z-0, como no caso), isso indica que, apesar da percepção dos pais, a ingestão alimentar é suficiente para suas necessidades. Nesses casos, a melhor conduta é a orientação à família. Isso inclui explicar as fases do desenvolvimento alimentar, desmistificar a ideia de que a criança "não come nada", e fornecer estratégias para um ambiente alimentar positivo, sem pressão ou punição. A prescrição de suplementos ou polivitamínicos sem indicação clínica clara, ou a solicitação de exames desnecessários, pode medicalizar um problema comportamental e gerar mais ansiedade nos pais.
As causas podem ser fisiológicas (diminuição do apetite após o primeiro ano), comportamentais (birras, busca por atenção), ou relacionadas a técnicas alimentares inadequadas. Causas orgânicas são menos comuns se o crescimento é normal.
Recomenda-se oferecer refeições em horários regulares, ambiente tranquilo, evitar distrações, não forçar a criança a comer, respeitar a saciedade, e oferecer variedade de alimentos saudáveis sem pressão.
A investigação é necessária se houver comprometimento do crescimento e desenvolvimento, perda de peso, sinais de deficiências nutricionais, sintomas gastrointestinais persistentes ou outras preocupações clínicas.
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