UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021
Paciente vítima de lesão por projétil de arma de fogo no membro inferior esquerdo. Chega ao hospital com sinais de choque hipovolêmico é prontamente atendido, e recebe sangue e cristalóides. Sai do estado de choque, sobre esta recuperação é incorreto afirmar:
Recuperação pós-choque não é rápida; há imunodepressão, risco de complicações e homeostase demorada.
A recuperação do choque hipovolêmico é um processo complexo e não imediato. Mesmo após a estabilização hemodinâmica, o paciente permanece em um estado de estresse metabólico e imunológico, com risco de complicações e disfunção orgânica, não estando apto a qualquer procedimento sem avaliação cuidadosa.
A recuperação de um choque hipovolêmico, especialmente em vítimas de trauma grave como lesão por projétil de arma de fogo, é um processo complexo que vai muito além da simples estabilização hemodinâmica. É incorreto afirmar que a homeostase se recupera rapidamente e que o paciente estará apto a qualquer procedimento imediatamente após a reanimação. O corpo entra em um estado de estresse metabólico e inflamatório prolongado. Após o choque, o organismo desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica que, embora inicialmente protetora, pode levar a um estado de imunodepressão secundária, tornando o paciente mais suscetível a infecções. A hemotransfusão, embora vital na reanimação, não é isenta de riscos e pode acarretar consequências imunológicas adversas, como reações transfusionais (febre, calafrios) e imunomodulação. Na fase II do choque, após a estabilização e repleção volêmica, é comum observar um aumento do ganho de peso devido à retenção de fluidos e uma diminuição do débito urinário, como parte da tentativa do organismo de restaurar o equilíbrio. Portanto, a recuperação é um período crítico que exige monitoramento contínuo e manejo cuidadoso para prevenir complicações como a disfunção de múltiplos órgãos e infecções.
O choque e a resposta inflamatória sistêmica subsequente podem levar a uma disfunção imunológica, com exaustão de células imunes e maior suscetibilidade a infecções, caracterizando um estado de imunodepressão.
A hemotransfusão pode induzir imunomodulação, como a TRALI (lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão), e aumentar o risco de infecções e reações transfusionais, incluindo febre e calafrios.
Na fase II, após a repleção volêmica, é comum observar ganho de peso devido ao excesso de fluidos e diminuição do débito urinário, pois o corpo tenta reequilibrar a homeostase hídrica e eletrolítica.
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