Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
A conduta frente a uma paciente com história de câncer epitelial de ovário, tratada com cirurgia de intervalo (Cirurgia – QT – cirurgia R0) e em seguimento oncológico, com quadro de elevação progressiva de CA 125 e exames de imagem (tomografias) normais, mas com ascite, edema de membros inferiores e emagrecimento: (CA–125 – referência: 35 U/mL) • Janeiro: 30 U/mL • Junho: 28 U/mL • Dezembro: 65 U/mL • Junho: 200 U/mL (ano seguinte) Diante das informações acima, deve-se
CA 125 ↑ progressivo + ascite + imagem normal em câncer de ovário tratado → suspeitar de recorrência peritoneal oculta.
Em pacientes com histórico de câncer epitelial de ovário e elevação progressiva do CA 125, mesmo com exames de imagem convencionais normais, a presença de ascite e sintomas constitucionais sugere fortemente recorrência peritoneal. A videolaparoscopia diagnóstica é o método mais eficaz para confirmar e estadiar essa recorrência, permitindo planejar a conduta terapêutica.
O câncer epitelial de ovário é uma neoplasia ginecológica com alta taxa de recorrência, mesmo após tratamento inicial bem-sucedido com cirurgia e quimioterapia. O CA 125 é um marcador tumoral amplamente utilizado no seguimento dessas pacientes, e sua elevação progressiva é um sinal de alerta crucial para a recorrência da doença. A fisiopatologia da recorrência frequentemente envolve a disseminação peritoneal, que pode ser difícil de detectar em exames de imagem convencionais como a tomografia computadorizada, especialmente quando as lesões são pequenas ou difusas. A presença de ascite, edema de membros inferiores e emagrecimento, em conjunto com o CA 125 elevado, sugere fortemente a presença de doença ativa, muitas vezes com carcinomatose peritoneal. Nesses casos, a investigação deve ser mais invasiva para confirmar o diagnóstico. A conduta diante de uma suspeita de recorrência com CA 125 elevado e imagem normal, mas com sintomas clínicos como ascite, é a realização de uma videolaparoscopia diagnóstica. Este procedimento permite a visualização direta da cavidade abdominal, a identificação de implantes tumorais e a coleta de material para biópsia, confirmando a recorrência e orientando o plano terapêutico subsequente, que pode incluir quimioterapia de resgate ou, em casos selecionados, nova cirurgia citorredutora.
Um CA 125 progressivamente elevado em uma paciente com histórico de câncer epitelial de ovário é um forte indicador de recorrência da doença, mesmo na ausência de achados em exames de imagem convencionais. É um marcador de atividade tumoral.
A videolaparoscopia diagnóstica permite a visualização direta da cavidade peritoneal, a coleta de biópsias de lesões suspeitas (incluindo o peritônio) e a avaliação da extensão da doença. É crucial para confirmar a recorrência e guiar decisões terapêuticas, como quimioterapia ou nova cirurgia.
Exames de imagem como a tomografia computadorizada podem não detectar pequenas implantações peritoneais ou doença microscópica, especialmente em estágios iniciais de recorrência. O CA 125 e a presença de ascite podem ser indicadores mais sensíveis nesses casos.
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