UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Homem, 44 anos de idade, chega ao pronto-socorro imediatamente após ter sofrido uma lesão na ponta do polegar esquerdo enquanto trabalhava com uma serra de mesa. O exame físico mostra uma ferida de 1,5x1,5 cm envolvendo a ponta do polegar com osso visível na base da ferida. Qual é a conduta mais adequada?
Lesão ponta do dedo com osso exposto > 1 cm² → retalho local para cobertura e sensibilidade.
Lesões traumáticas na ponta dos dedos, especialmente com exposição óssea e perda de substância significativa (como 1,5x1,5 cm), requerem cobertura adequada. Retalhos locais são a melhor opção para preservar a sensibilidade e a função, sendo superiores à sutura primária, enxerto de pele ou fechamento por segunda intenção em muitos casos.
As lesões traumáticas na ponta dos dedos são extremamente comuns, especialmente em ambientes de trabalho, e representam um desafio significativo devido à importância funcional e sensitiva da região. A ponta do polegar, em particular, é crucial para a preensão e manipulação, e sua reconstrução exige uma abordagem cuidadosa para restaurar a função e a sensibilidade. A avaliação inicial de uma lesão na ponta do dedo deve incluir o tamanho da perda de substância, a presença de exposição óssea, a condição dos tecidos moles circundantes e o status vascular e nervoso. Para perdas de substância pequenas e sem exposição óssea, a sutura primária pode ser suficiente. No entanto, em casos de perdas maiores, como a descrita (1,5x1,5 cm com osso visível), a sutura primária resultaria em tensão excessiva, comprometendo a vascularização e a cicatrização. Nessas situações, a conduta mais adequada é a utilização de retalhos locais. Retalhos como o V-Y (Atasoy ou Kutler) ou retalhos de avanço são ideais porque fornecem cobertura de tecido semelhante, preservam a sensibilidade e mantêm o comprimento do dedo. O enxerto de pele total pode ser uma opção para perdas sem exposição óssea ou em áreas menos críticas, mas geralmente oferece menor sensibilidade e durabilidade. O fechamento por segunda intenção é reservado para lesões muito pequenas ou em pacientes com contraindicações cirúrgicas, devido ao risco de contratura e cicatrização prolongada.
Retalhos locais são indicados para lesões com perda de substância significativa, exposição óssea, ou quando a sutura primária resultaria em tensão excessiva, visando preservar a sensibilidade e a função.
Os retalhos mais comuns incluem o retalho V-Y (como Kutler ou Atasoy), retalhos de avanço lateral ou dorsal, e retalhos de fluxo reverso, dependendo da localização e tamanho da lesão.
O fechamento por segunda intenção pode levar a um tempo de cicatrização prolongado, contratura da ponta do dedo, deformidade da unha e sensibilidade alterada, comprometendo a função e a estética.
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