PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023
Paciente, sexo masculino, 22 anos de idade, trazido por populares à UPA após ser vítima de agressão física, relata que sofreu agressão com um soco na face há cerca de 45 minutos. Refere ferimento em pálpebra superior direita com dor e sangramento. Nega outros sintomas. Ao exame físico, bom estado geral, lúcido e orientado, presença de ferimento corto-contuso na pálpebra superior direita, medindo 2,0cm, com exposição da camada interna, sangramento ativo em pequena quantidade e sem lesão do globo ocular direito.Caso o paciente apresente perda de substância que impossibilite a síntese primária, identifique a técnica menos adequada para a reconstrução da pálpebra:
Pele reconstrói lamela anterior; Mucosa reconstrói lamela posterior (conjuntiva).
Na reconstrução de defeitos cutâneos palpebrais, deve-se usar tecido com características semelhantes (pele). A mucosa é inadequada para cobertura externa.
A reconstrução palpebral após trauma com perda de substância segue princípios de anatomia por lamelas. A lamela anterior requer cobertura cutânea fina. Opções como enxerto de pele contralateral ou retalhos locais (sobrancelha, pálpebra inferior) são ideais por manterem a harmonia de cor e espessura. O enxerto de mucosa é a técnica 'menos adequada' para a situação descrita (ferimento externo com exposição da camada interna) se o objetivo for a síntese da cobertura externa. A mucosa é úmida e secretora, servindo para revestir a face interna da pálpebra em contato com o globo ocular. O uso de mucosa na face externa levaria a uma ferida cronicamente aberta, secreção inadequada e falha na cicatrização estética.
O enxerto de pele da pálpebra contralateral é uma das melhores opções para reconstruir a lamela anterior (pele e músculo orbicular) quando não há possibilidade de fechamento primário. Isso ocorre porque a pele palpebral é única em sua espessura, textura e ausência de gordura subcutânea, proporcionando o melhor resultado estético e funcional.
O enxerto de mucosa (geralmente colhido da cavidade oral) é utilizado exclusivamente para a reconstrução da lamela posterior da pálpebra, ou seja, para substituir a conjuntiva palpebral ou o tarso. Ele não possui as propriedades necessárias para substituir a pele externa, pois não resiste à dessecação e não provê proteção cutânea.
A pálpebra é dividida em lamela anterior (pele e músculo orbicular) e lamela posterior (tarso e conjuntiva). Em reconstruções, é vital que pelo menos uma das lamelas tenha suprimento sanguíneo próprio (seja um retalho). Se ambas as lamelas forem reconstruídas com enxertos (sem pedículo vascular), o risco de necrose é altíssimo.
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