MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 34 anos, vítima de acidente motociclístico, apresenta uma ferida traumática na face anterior do terço distal da perna direita, medindo aproximadamente 6 x 4 cm. Ao exame físico, observa-se perda de substância cutânea com exposição da diáfise da tíbia, notando-se a ausência de periósteo sobre o osso exposto. O restante do membro apresenta boa perfusão distal e pulsos palpáveis. Diante da necessidade de cobertura definitiva dessa lesão, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para o caso.
Osso sem periósteo → Necessita de retalho (vascularização própria); Enxerto não integra.
Em lesões de terço distal de perna com exposição óssea e ausência de periósteo, a enxertia é contraindicada pela falta de leito receptor vascularizado, exigindo retalhos locais ou microcirúrgicos.
A reconstrução do terço distal da perna é um desafio anatômico devido à escassez de tecidos moles locais e vascularização frequentemente precária. A regra de ouro na cirurgia reparadora é avaliar a viabilidade do leito receptor: se houver periósteo íntegro ou tecido de granulação, o enxerto pode ser considerado; se o osso estiver exposto e desprovido de periósteo, o retalho é mandatório. Este caso clínico ilustra a aplicação da escada reconstrutiva, onde a complexidade do procedimento aumenta conforme a necessidade do leito. O uso de curativos por pressão negativa pode auxiliar no preparo do leito, mas não substitui a necessidade de cobertura definitiva por retalho quando há osso cortical exposto sem periósteo.
O enxerto de pele depende da embebição plasmática e posterior inosculação a partir de um leito receptor vascularizado. O osso cortical sem periósteo é uma superfície avascular, o que impede a integração do enxerto. Nesses casos, é obrigatório o uso de tecidos com vascularização própria, como os retalhos, que levam seu próprio suprimento sanguíneo para a área da lesão.
O enxerto é um segmento de tecido (pele, osso, cartilagem) completamente destacado de sua área doadora, dependendo da vascularização do leito receptor para sobreviver. O retalho é um segmento de tecido transferido com seu próprio suprimento sanguíneo (pedículo), sendo ideal para cobrir áreas nobres, avasculares ou com exposição de estruturas profundas como ossos e tendões.
A escolha depende da localização e extensão da lesão. No terço distal da perna, os retalhos fasciocutâneos (como o sural reverso) são frequentemente preferidos pela menor morbidade da área doadora e espessura adequada. No entanto, para grandes defeitos ou quando não há vasos locais viáveis, os retalhos microcirúrgicos (transferência de tecido à distância com anastomose vascular) tornam-se o padrão-ouro.
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