Cobertura de Exposição Óssea em Terço Distal da Perna

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 34 anos, vítima de acidente motociclístico, apresenta uma ferida traumática na face anterior do terço distal da perna direita, medindo aproximadamente 6 x 4 cm. Ao exame físico, observa-se perda de substância cutânea com exposição da diáfise da tíbia, notando-se a ausência de periósteo sobre o osso exposto. O restante do membro apresenta boa perfusão distal e pulsos palpáveis. Diante da necessidade de cobertura definitiva dessa lesão, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Realização de retalho fasciocutâneo ou muscular local ou à distância.
  2. B) Aplicação de enxerto de pele total retirado da região inguinal.
  3. C) Uso de enxerto de pele parcial em malha após desbridamento.
  4. D) Fechamento por segunda intenção com auxílio de curativo por pressão negativa.

Pérola Clínica

Osso sem periósteo → Necessita de retalho (vascularização própria); Enxerto não integra.

Resumo-Chave

Em lesões de terço distal de perna com exposição óssea e ausência de periósteo, a enxertia é contraindicada pela falta de leito receptor vascularizado, exigindo retalhos locais ou microcirúrgicos.

Contexto Educacional

A reconstrução do terço distal da perna é um desafio anatômico devido à escassez de tecidos moles locais e vascularização frequentemente precária. A regra de ouro na cirurgia reparadora é avaliar a viabilidade do leito receptor: se houver periósteo íntegro ou tecido de granulação, o enxerto pode ser considerado; se o osso estiver exposto e desprovido de periósteo, o retalho é mandatório. Este caso clínico ilustra a aplicação da escada reconstrutiva, onde a complexidade do procedimento aumenta conforme a necessidade do leito. O uso de curativos por pressão negativa pode auxiliar no preparo do leito, mas não substitui a necessidade de cobertura definitiva por retalho quando há osso cortical exposto sem periósteo.

Perguntas Frequentes

Por que não usar enxerto em osso sem periósteo?

O enxerto de pele depende da embebição plasmática e posterior inosculação a partir de um leito receptor vascularizado. O osso cortical sem periósteo é uma superfície avascular, o que impede a integração do enxerto. Nesses casos, é obrigatório o uso de tecidos com vascularização própria, como os retalhos, que levam seu próprio suprimento sanguíneo para a área da lesão.

Qual a diferença entre retalho e enxerto na cirurgia plástica?

O enxerto é um segmento de tecido (pele, osso, cartilagem) completamente destacado de sua área doadora, dependendo da vascularização do leito receptor para sobreviver. O retalho é um segmento de tecido transferido com seu próprio suprimento sanguíneo (pedículo), sendo ideal para cobrir áreas nobres, avasculares ou com exposição de estruturas profundas como ossos e tendões.

Como escolher entre retalho muscular ou fasciocutâneo no terço distal?

A escolha depende da localização e extensão da lesão. No terço distal da perna, os retalhos fasciocutâneos (como o sural reverso) são frequentemente preferidos pela menor morbidade da área doadora e espessura adequada. No entanto, para grandes defeitos ou quando não há vasos locais viáveis, os retalhos microcirúrgicos (transferência de tecido à distância com anastomose vascular) tornam-se o padrão-ouro.

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