CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022
Qual a melhor conduta para a lesão observada na foto?
Laceração em canto medial → Suspeitar e tratar lesão de canalículo lacrimal.
Traumas palpebrais que envolvem a região medial têm alta probabilidade de seccionamento dos canalículos lacrimais, exigindo reparo microcirúrgico com intubação para evitar epífora crônica.
O sistema excretor lacrimal começa nos pontos lacrimais e segue pelos canalículos superior e inferior, que se unem no canalículo comum antes de entrar no saco lacrimal. A integridade desta via é crucial para a drenagem da lágrima. Lacerações que interrompem essa continuidade levam à epífora (lacrimejamento) obstrutiva. A técnica cirúrgica exige precisão para evitar estenoses. O uso de stents é obrigatório para manter o lúmen pérvio durante os 3 a 6 meses de cicatrização. Além da via lacrimal, o cirurgião deve estar atento à reconstrução do tendão cantal medial, que é o principal suporte estrutural do canto interno e cuja falha resulta em telecanto e deformidade estética grave.
Deve-se suspeitar sempre que houver uma laceração palpebral localizada medialmente aos pontos lacrimais superior ou inferior. Traumas por avulsão (como mordeduras de cão ou acidentes de trânsito) frequentemente rompem o canalículo no ponto de menor resistência. A exploração cuidadosa sob magnificação (microscópio ou lupa) é mandatória para identificar as extremidades seccionadas do canalículo.
O reparo envolve a identificação das duas extremidades do canalículo e a passagem de um stent de silicone (como o tubo de Monoka ou Crawford) através da via lacrimal para servir de molde durante a cicatrização. A mucosa canalicular é então suturada com fios absorvíveis finos (8-0 ou 9-0) e a pálpebra é reconstruída por planos, garantindo o alinhamento anatômico correto.
O reparo deve ser realizado preferencialmente nas primeiras 48 a 72 horas após o trauma. O atraso dificulta a identificação das extremidades do canalículo devido ao edema e à retração tecidual. Embora reparos tardios sejam possíveis, o prognóstico para patência da via lacrimal é significativamente melhor quando a intervenção é precoce e realizada por um especialista em oculoplástica.
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