AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Paciente de 54 anos realizou hernioplastia inguinal aberta à Lichtenstein há 10 anos. Há 30 dias iniciou com dor e abaulamento em região inguinal sendo diagnosticado com recidiva da hérnia inguinal já tratada. Assinale a alternativa que indica a melhor conduta no caso.
Recidiva após via anterior (Lichtenstein) → Preferir via posterior (TAPP/TEP) para evitar fibrose.
O tratamento de hérnias recidivadas deve utilizar um plano anatômico virgem (não operado) para reduzir riscos de lesões e facilitar a dissecção, seguindo as diretrizes internacionais.
A recidiva de hérnia inguinal após a técnica de Lichtenstein (padrão-ouro via anterior) ocorre em cerca de 1-4% dos casos. O princípio fundamental da reoperação é o 'princípio do plano oposto'. Se a primeira cirurgia foi anterior, a segunda deve ser posterior (laparoscópica ou técnica de Stoppa). Isso minimiza a manipulação de nervos já sensibilizados e evita a dissecção difícil através da tela previamente implantada, garantindo melhores desfechos clínicos e funcionais.
A mudança da via de acesso (de anterior para posterior ou vice-versa) é recomendada para evitar a dissecção em tecidos com fibrose cicatricial intensa da cirurgia prévia. Ao operar por um plano anatômico 'virgem', o cirurgião encontra marcos anatômicos preservados, o que reduz o tempo operatório, diminui o risco de lesões de estruturas como o cordão espermático e nervos ilioinguinal/ilio-hipogástrico, e resulta em menores taxas de nova recidiva.
As técnicas laparoscópicas (Transabdominal Pré-Peritoneal - TAPP ou Totalmente Extraperitoneal - TEP) oferecem uma visão clara do espaço pré-peritoneal, permitindo a cobertura de todos os orifícios de fraqueza (miopectíneo de Fruchaud) com uma tela ampla. Além disso, proporcionam menos dor pós-operatória, retorno mais rápido às atividades e menor incidência de infecção de ferida operatória em comparação com a reoperação por via aberta.
A conduta expectante (watchful waiting) pode ser considerada apenas em pacientes com hérnias inguinais minimamente sintomáticas ou assintomáticas, e que possuam alto risco cirúrgico. No entanto, para pacientes com dor e abaulamento progressivo (como no caso clínico), a correção cirúrgica é indicada para prevenir complicações como encarceramento ou estrangulamento, especialmente em casos de recidiva onde a anatomia já está alterada.
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