UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente, de 45 anos, previamente saudável, é internado após sofrer um acidente de trânsito com múltiplas fraturas e lesões teciduais significativas. Três dias após a admissão, ele desenvolve febre, hipotensão e elevação de marcadores inflamatórios. A investigação revela a presença de bactérias Gram-negativas na hemocultura, e o paciente é diagnosticado com choque séptico. Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a resposta imune inata e adaptativa, no contexto do trauma e infecção bacteriana?
LPS de Gram-negativos + TLR4 → Ativação da resposta imune inata e cascata inflamatória na sepse.
A resposta inicial à infecção bacteriana depende do reconhecimento de padrões moleculares (PAMPs) por receptores de reconhecimento de padrões (PRRs), como o TLR4, que identifica o LPS de bactérias Gram-negativas.
O choque séptico representa uma falência da homeostase imunológica, onde a resposta do hospedeiro ao patógeno causa dano tecidual colateral. A interação entre o LPS e o complexo TLR4/MD2/CD14 é o evento molecular central na sepse por Gram-negativos. Esta sinalização resulta na liberação de mediadores que aumentam a permeabilidade vascular, causam vasodilatação profunda e ativam a cascata de coagulação.\n\nAlém da resposta pró-inflamatória, ocorre simultaneamente uma resposta anti-inflamatória compensatória (CARS), que pode levar à imunoparalisia. O entendimento desses mecanismos é crucial para o desenvolvimento de terapias alvo, embora, até o momento, o tratamento suporte (antibióticos, fluidos e vasopressores) continue sendo o pilar fundamental.
O TLR4 (Toll-like Receptor 4) é um receptor de reconhecimento de padrão (PRR) localizado na superfície de células da imunidade inata, como macrófagos e neutrófilos. Ele reconhece especificamente o lipopolissacarídeo (LPS), um componente da membrana externa de bactérias Gram-negativas. Essa ligação ativa vias de sinalização intracelular (como a do NF-κB), levando à produção massiva de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL-6), que desencadeiam a síndrome de resposta inflamatória sistêmica.
O trauma causa lesão tecidual que libera DAMPs (Padrões Moleculares Associados ao Perigo), como DNA mitocondrial e proteínas de choque térmico. Esses DAMPs ativam os mesmos receptores (como TLRs) que os patógenos (PAMPs). Isso cria um estado de 'priming' ou inflamação prévia que, ao ser seguido por uma infecção bacteriana, pode exacerbar a resposta inflamatória, levando mais rapidamente ao choque séptico e falência de múltiplos órgãos.
A resposta inata é imediata, inespecífica e não gera memória, utilizando células como neutrófilos, macrófagos e células NK para conter o patógeno. A resposta adaptativa é tardia, específica para antígenos e gera memória imunológica, envolvendo linfócitos T e B. No choque séptico, a desregulação da resposta inata é a principal responsável pela instabilidade hemodinâmica aguda.
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