Metformina e Infecções: Risco de Acidose Láctica

HOC - Hospital de Olhos de Conquista (BA) — Prova 2017

Enunciado

Em recente reunião administrativa do hospital, o chefe da farmácia solicitou que um médico participasse da criação do sistema de vigilância e alerta da dispensa de medicações. A ideia básica era a de criar tela de alerta quando ocorresse interação da medicação com o achado de diagnósticos mais frequentes como o do diabetes. Assim, foram criados diversos protocolos baseados em dados epidemiológicos de interação, mas um deles foi posteriormente considerado INADEQUADO, conforme apresentado em uma das opções a seguir. Indique-o.

Alternativas

  1. A) Em pacientes com DM que apresentam infecções sistêmicas e que realizam tratamento com medicações não insulínicas, pode ser necessária a insulinização temporária.
  2. B) Em pacientes com DM e tuberculose, o uso de rifampicina pode melhorar o controle glicêmico em pacientes que utilizam sulfonilureias.
  3. C) A metformina deve ser suspensa temporariamente em pacientes com infecções sistêmicas, pois sua manutenção nessas situações pode aumentar o risco de acidose láctica.
  4. D) As fluoroquinolonas, especialmente moxifloxacino, têm sido associadas tanto à hiper quanto à hipoglicemia, por vezes graves.

Pérola Clínica

A suspensão de metformina em infecções sistêmicas deve ser individualizada, considerando gravidade e função renal.

Resumo-Chave

Embora a metformina deva ser suspensa em condições que aumentam o risco de acidose láctica (como infecções graves com desidratação ou disfunção renal), a generalização para *todas* as infecções sistêmicas pode ser inadequada, exigindo avaliação individualizada do risco-benefício.

Contexto Educacional

O manejo do Diabetes Mellitus (DM) em pacientes com comorbidades ou infecções exige atenção especial às interações medicamentosas e aos riscos de efeitos adversos. A metformina, um dos pilares do tratamento do DM tipo 2, é geralmente segura, mas seu uso em condições de hipoperfusão tecidual ou disfunção renal pode precipitar acidose láctica, uma complicação grave. Infecções sistêmicas, especialmente as mais graves, podem levar a desidratação, sepse e comprometimento da função renal, aumentando o risco de acidose láctica associada à metformina. Por essa razão, a suspensão temporária da metformina é uma conduta frequentemente recomendada nessas situações. No entanto, a decisão deve ser individualizada, avaliando a gravidade da infecção e o perfil de risco do paciente, pois nem todas as infecções sistêmicas leves justificam a interrupção. Outras interações importantes incluem a rifampicina, que, como indutor enzimático, pode reduzir a eficácia das sulfonilureias, e as fluoroquinolonas, que podem causar disfunção glicêmica (hipo ou hiperglicemia). O conhecimento dessas interações é crucial para a segurança do paciente e para evitar desfechos adversos, sendo um tema relevante para a prática clínica e exames de residência.

Perguntas Frequentes

Quando a metformina deve ser suspensa?

A metformina deve ser suspensa temporariamente em situações que aumentam o risco de acidose láctica, como insuficiência renal aguda, desidratação grave, sepse, choque, insuficiência cardíaca descompensada e antes de exames com contraste iodado.

Quais medicamentos interagem com sulfonilureias?

Medicamentos que induzem enzimas hepáticas (como rifampicina) podem reduzir o efeito das sulfonilureias, enquanto inibidores enzimáticos ou outros hipoglicemiantes podem potencializar seu efeito, aumentando o risco de hipoglicemia.

Quais são os riscos das fluoroquinolonas em pacientes diabéticos?

Fluoroquinolonas, como o moxifloxacino, podem causar tanto hipoglicemia quanto hiperglicemia em pacientes diabéticos, exigindo monitoramento cuidadoso da glicemia.

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