HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Considere um recém-nascido que acaba de nascer por parto cesárea por desproporção cefalopélvica, a termo, idade gestacional de 39 semanas 3/7. Apresenta Apgar 9/10, peso ao nascimento = 4.215 kg, comprimento = 51 cm e perímetro cefálico = 35 cm. A mãe dele, primigesta, teve ganho de peso de 32 kg na gestação e, ao 3º trimestre, foi diagnosticada com diabetes gestacional. Não manifestou outras intercorrências no pré-natal. Considerando essas informações, além do estímulo ao aleitamento materno exclusivo a ser iniciado na sala de parto deve-se estar atento e monitorizar o bebê em razão do risco aumentado de
RN de mãe diabética, especialmente GIG, tem alto risco de hipoglicemia neonatal devido ao hiperinsulinismo fetal.
Recém-nascidos de mães com diabetes gestacional, especialmente aqueles com macrossomia (GIG), estão sob risco aumentado de hipoglicemia neonatal. Isso ocorre devido ao hiperinsulinismo fetal crônico em resposta à hiperglicemia materna, que persiste após o nascimento com a interrupção do suprimento glicêmico materno.
Recém-nascidos de mães com diabetes gestacional (RNDMG) representam uma população de alto risco para diversas complicações neonatais, sendo a hipoglicemia uma das mais frequentes e potencialmente graves. A incidência de diabetes gestacional tem aumentado, tornando o manejo desses recém-nascidos uma preocupação constante na prática pediátrica e obstétrica. A fisiopatologia da hipoglicemia neonatal em RNDMG está diretamente ligada ao hiperinsulinismo fetal. A hiperglicemia materna crônica atravessa a placenta, estimulando o pâncreas fetal a produzir mais insulina. Após o nascimento, com a interrupção abrupta do fluxo de glicose materna, o pâncreas hiperplásico do RN continua a secretar insulina em excesso, levando a uma queda rápida e significativa dos níveis de glicose no sangue. O manejo desses recém-nascidos exige vigilância. A monitorização da glicemia deve ser iniciada precocemente, geralmente na primeira hora de vida, e repetida em intervalos regulares. O aleitamento materno exclusivo e precoce é incentivado. Em casos de hipoglicemia persistente ou sintomática, a administração de glicose intravenosa é necessária. A prevenção de complicações a longo prazo, como obesidade e diabetes tipo 2, também é uma preocupação.
Os sinais podem ser inespecíficos, incluindo letargia, irritabilidade, tremores, hipotonia, apneia, cianose, convulsões e recusa alimentar.
O tratamento inicial envolve a alimentação precoce (aleitamento materno ou fórmula) e, se a glicemia não normalizar ou for muito baixa, infusão de glicose intravenosa.
A macrossomia é um sinal de hiperglicemia materna crônica, que leva a um hiperinsulinismo fetal compensatório. Após o parto, a fonte de glicose materna é removida, mas o pâncreas fetal continua a produzir insulina em excesso, causando hipoglicemia.
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